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Arquiteto e Urbanista, sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, trabalhando no mercado de arquitetura, engenharia e design. Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC em 2004.Pós-graduado em Espaço celebrativo litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia [FAJE].
Assina a autoria de 108 Igrejas, 22 salões paroquiais, 18 centros de evangelização, 5 sedes de ação social e 8 casas paroquiais, em 13 estados, 57 cidades no Brasil e no México. Além disso participou em outros projetos e obras como consultor. Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra. Escreve artigos para a revista Paróquias e Casas Religiosas de São Paulo.


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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

■ Criatividade no Planejamento de Obras na Paróquia | Revista Paróquias

■ Matéria escrita pelo Arquiteto Eduardo Faust para a 
Edição 46 – Janeiro | Fevereiro 2014.

  
No século XIX, durante a revolução industrial na Europa, o projeto arquitetônico foi fator decisivo para uma transformação nas vidas dos operários, estes viviam em espaços insalubres com poucas áreas de lazer e espaços de convívio. Tal planejamento não muda a realidade socioeconômica de cada bairro/indivíduo, mas nos dá condições em elevar a qualidade de vida destes.

No caso das paróquias as áreas extra templo, ou extra missa necessitam de uma readequação em sua organização espacial.  O estudo do Cristianismo, a prática Cristã, dependem destes espaços para que esta Igreja viva se manifeste. 


Imagine uma praça, aonde um grupo, após sair de uma aula sobre bíblia encontra-se ensaiando musicas litúrgicas, sentados ao redor do monumento de Nossa Senhora do Rosário. Estes são abordados por outros, que passam em direção à biblioteca, pois acabam de retornar de um filme sobre a história de São Francisco de Assis e querem saber mais sobre. Os dois grupos aguardam para falar com membros da ação social, pois querem fazer parte da organização de um evento beneficente no salão comunitário.

Tal cena que ilustra uma comunidade viva, num ambiente agradavelmente evangelizador, só seria possível com um espaço que integre: Salão de Festas; centro de evangelização; cinema; biblioteca; praça; monumentos; espaço do ministério da musica e sede da associação social.

Ao contrário de um shopping que cria a estrutura para gerar demanda, as nossas comunidades já possuem tal demanda que clamam direta e indiretamente pela infraestrutura. Muitas vezes por falta de alguém que plante esta semente opta-se pelo típico salão de festas, esquecendo-se da gama de usos disponíveis. 


Quermesses e festas comunitárias são exemplos da tradição da Igreja como fomentadora da união dos leigos através do entretenimento, que vem se tornando cada vez mais diversificado e a Igreja deve fazer uso de tal pluralidade de meios.

Analisando exemplos bem sucedidos de igrejas no Brasil e no mundo veremos uma lista de “serviços” que estas construções e espaços anexos podem nos oferecer:

·         Sala de projeção [cinema] | Apresentação de filmes catequéticos ou que contenham uma mensagem Cristã. Dimensionado para o uso local da comunidade, este espaço geralmente será pequeno, lembrando mais um home theater do que um cinema.  

·         Biblioteca, livraria e sala multimídia | Por grande parte do conhecimento hoje estar nas redes de computadores, o espaço da biblioteca não pode mais se comportar como um depósito organizado de livros, e sim um local de fomento de ideias e agradável leitura. Uma livraria ajuda a movimentar o rico mercado editorial Católico.

·         Salas de aula, sala de reuniões/conferência, sala de leitura | Espaços já presentes na grande maioria das comunidades.

·         Auditório/teatro | Conferências e eventos em geral externos e internos podem ser oferecidos pela comunidade, trazendo conhecimento de outras partes. Se anexarmos: camarins, foyer, coxia, expandiremos o uso do auditório para também de um teatro, aonde encenações de passagens bíblicas, apresentações musicais, entre outros, encontrarão espaço apropriado.

·         Centro de ação social | Basicamente salas administrativas dimensionadas conforme a atuação.

·         Salão de Eventos | Estrutura com: hall; bilheteria; palco; cozinha industrial; bar e depósitos. Deve ser calculado isolamento/tratamento acústico, sua legalização passa por rigorosas normas da vigilância sanitária.

·         Praça catequética | Todos os espaços citados anteriormente funcionam melhor se planejados integrados a uma área verde e aberta. Esta permeabilidade espacial é vista nos claustros dos mosteiros.

 ·         Quiosque | A cultura dos Cafés e das Praças de Alimentação como pontos de encontro está cada vez mais solidificada. Um comercio desta natureza numa Igreja torna-se raro, pois, suas vendas têm de comportar sua estrutura e geralmente o número de usuários é insuficiente.

·         Estacionamento | A legislação das cidades varia quanto ao método de contagem, importante é saber que cada espaço criado soma mais vagas.

·         Banheiros e lavabos | Poucos dos ambientes citados necessitam de grandes sanitários públicos, apenas lavabos bastam. Importante é saber locá-los de forma inteligente, pois será raro o uso de todos espaços simultaneamente.

·         Casa paroquial | É a única obra presente nos terrenos das Igrejas que é de uso privado, logo não necessita encontrar-se ali. São recorrentes as queixas de sacerdotes que moram ao lado do salão de festas, sendo este alugado para terceiros com frequência. Muitas casas paroquiais são transformadas em centros de evangelização e etc. 

 Os espaços que tratamos são na maioria das vezes edificados no mesmo terreno da Igreja sob 3 tipologias:

Isoladas no terreno | Possui um ou vários edifícios próprios para abrigar tais usos. É a alternativa ideal, pois é possível fazer com que áreas verdes de convívio contornem as edificações. O edifício igreja terá destaque pela liberdade volumétrica. Cada edifício é executado e finalizado independentemente sendo mais fácil de planejar as obras. Porém tal conformação necessita de terrenos realmente grandes, cada vez mais difíceis em grandes centros.


Anexo a Igreja | Numa mesma construção é criada toda estrutura, otimizando o espaço no terreno, porém esta área anexa não deve “roubar” área que poderia ser utilizada pela assembleia da Igreja. O edifício Igreja fica “encaixado” em outra obra, geralmente de dois andares, isto deve ser pensado pelo arquiteto para que não prejudique sua estética e acessibilidade. 


Prédio | Quando o lote não comporta os usos, a verticalização é a alternativa mais apropriada. É indicado que a Igreja esteja sempre no topo, aproveitando o pé direito alto proporcionado por inclinações da cobertura. Este uso exige do arquiteto criatividade e domínio de formas, para que a obra tenha “cara” de Igreja e não de prédio. Rampas e/ou elevadores se farão necessários elevando o custo da obra.



Este programa de necessidades deve ser discutido pela comunidade/clero conforme seus costumes e espaço disponível. O arquiteto os formatará de forma a otimizar os espaços e atender as legislações vigentes.


Eduardo Faust é Arquiteto pós-graduado em Espaço Litúrgico
possui mais de 50 Igrejas e centros pastorais em seu currículo.
contato@eduardofaust.com

Edição 46 – Janeiro | Fevereiro 2014



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