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Arquiteto e Urbanista, sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, trabalhando no mercado de arquitetura, engenharia e design. Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC em 2004.Pós-graduado em Espaço celebrativo litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia [FAJE].
Assina a autoria de 108 Igrejas, 22 salões paroquiais, 18 centros de evangelização, 5 sedes de ação social e 8 casas paroquiais, em 13 estados, 57 cidades no Brasil e no México. Além disso participou em outros projetos e obras como consultor. Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra. Escreve artigos para a revista Paróquias e Casas Religiosas de São Paulo.


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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

■ Quero um edifício que gaste pouca energia elétrica. Como faço?


A palavra de ordem para arquitetura do século XXI é: sustentabilidade; vemos uma preocupação grande de vários setores produtivos, o da construção civil não fica de fora.

Focando na questão eficiência energética vemos trabalhos sérios, mas também oportunistas pelo marketing ecológico. A ação institucional para que se possa mensurar tal aplicação é o programa brasileiro de etiquetagem do Inmetro.

Conversei com a Arquiteta Marina Vasconcelos sócia fundadora da empresa Vertes, pioneira em assessoramento para a obtenção do certificado de eficiência energética. Ela explica como funciona o sistema de certificação:

As edificações residenciais e comerciais fazem parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. Através deste programa, edifícios são avaliados e é fornecida uma etiqueta que indica o nível de eficiência do edifício, que pode variar de nível “A”, mais eficiente, a nível “E”, menos eficiente (equivalendo ao que atende menor número de exigências do Inmetro).
Didaticamente, afirma-se que, assim como diferentes eletrodomésticos possuem uma etiqueta indicando seu nível de eficiência energética, de maneira análoga, as edificações terão uma etiqueta equivalente, que indicará o resultado das avaliações de seu projeto arquitetônico, do sistema de iluminação, do sistema de condicionamento de ar, do sistema de aquecimento de água. Inicialmente, este regulamento terá um caráter voluntário para edificações novas e existentes, mas há previsão de que no futuro será obrigatório às novas edificações.

Para as edificações comerciais, de serviços e públicas, a etiqueta indica o nível de eficiência da envoltória (fachadas e coberturas, incluindo aberturas envidraçadas), do sistema de iluminação e do sistema de condicionamento de ar. Ela pode ser fornecida integralmente, ou em partes separadas: envoltória, envoltória + sistema de iluminação ou envoltória + sistema de condicionamento de ar. Tendo as três partes, recebe-se a etiqueta completa.
■ AlphaBusiness | Primeira certificação nível A do estado de SP
Para as edificações residenciais, a etiqueta avaliará as unidades habitacionais autônomas, as edificações residenciais multifamiliares como um todo e as áreas de uso comum do empreendimento. Nas unidades habitacionais autônomas os principais pontos analisados serão a envoltória e o sistema de aquecimento de água. Já nas edificações multifamiliares os pontos resultarão da ponderação da avaliação das suas unidades autônomas e da avaliação da área externa.

A avaliação do nível de eficiência energética do edifício é composta de duas etapas: etapa de avaliação de projeto, pela qual se identifica o nível de eficiência do edifício projetado, e etapa de avaliação do edifício, oportunidade em que o edifício já construído é inspecionado para verificar se as características do projeto foram atendidas

■ Matéria do Jornal Nacional | Link do Video
■ Materia da Revista Construção e Mercado | revista.construcaomercado.com.br


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

■ IGREJA DE SÃO PIO | Arq. Renzo Piano




Situada na cidade de San Giovanni Rotondo a Igreja de São Pio entra na lista das grandes catedrais pós-modernas. O autor Renzo Piano [vencedor do Pritzker 1998] baseia seus conceitos em proporções geométricas, de difícil entendimento formal o edifício possui uma estética singular e um fino acabamento.

A rígida geometria definida em planta faz com que a volumetria seja uma consequência, ao meu ver este é o principal motivo pelo qual sua estética seja mais ligada ao grotesco do que ao belo [para quem já é inciado em estética sabe que o grotesco é estético, e possui tanto valor quanto o belo].

Isto fica claro tambem comparando o conceito de que Cristo é o centro. No interior notamos a hirarquia do centro radial [definido em planta] onde encontra-se o altar, porém, uma massa disforme é gerada na volumetria externa, entre coberturas sobrepostas é dificil de se encontrar uma composição estruturada como no princípio do partido arquitetônico

Abaixo linkei dois vídeos: um primeiro muito bom, mostrando os conceitos da formulação da igreja e um segundo com imagens.








Exibir mapa ampliado


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

■ PORQUE IGREJAS SÃO PENSADAS COMO GALPÕES?


O concílio ecumênico vaticano II é a constituição da sagrada liturgia, nele contêm diretrizes sobre como organizar espacialmente os templos católicos. Datado de 1961 a 1965 ele nasce (após décadas de maturação) contemporaneamente ao pensamento pós-moderno.
Se analisarmos obras da arquitetura pós-moderna e seus expoentes maiores, veremos que uma minoria delas são templos; e podemos dizer que isso é uma novidade na história da arquitetura. Até antes da revolução industrial todo o saber arquitetônico era materializado nos templos.
Ao longo do século XX ouve uma má interpretação do funcionalismo moderno. Uma verdadeira mutação de importância, fez com que por exemplo o conceito do “fim do adorno”, transforme-se em “ausência de significado”; e o conceito de “limpeza formal” em “ausência total de composição”.
■ Exemplo de igreja com ausência de composição”.
A má interpretação somou-se a má vontade do clero de absorver a arte moderna, assim houve uma demora na aceitação dela como arte sacra. Assim templos de linguagem ou tecnicamente modernos, ilustravam em seus interiores retábulos barrocos e elementos litúrgicos em geral sem unidade artística.
Obra de John Piper | www.johnpiper.org.uk
A construção de templos com técnicas construtivas modernas [concreto e aço], passam a ser mais viáveis economicamente por conta da otimização na estrutura industrial vigente. Estas novas técnicas nortearam o pensamento moderno que desenvolveu uma nova linguagem para arquitetura, por tamanha inovação. A antipatia do clero em relação a arte moderna afastou tanto artistas como arquitetos das obras, empobrecendo muito o legado. Na falta de uma obra iconológica de arquitetura moderna sacra - que servisse de espelho deste novo momento - fez com que em grande número de casos, a arquitetura da “ausência de composição” tomasse esse papel. A construção de templos neo-ecléticos [feitos com técnicas construtivas novas, imitando os materiais antigos] foi outra solução desastrosa adotada nos edifícios.
O Papa Paulo VI escreve na conclusão do concílio vaticano II aos artistas “Hoje como ontem, a Igreja tem necessidade de vós e volta-se para vós. E diz-vos pela nossa voz: não permitais que se rompa uma aliança entre todas fecunda. Não vos recuseis a colocar o vosso talento ao serviço da verdade divina. Não fecheis o vosso espírito ao sopro do Espírito Santo.
O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração. E isto por vossas mãos.” (Paulo, 1965) Trinta e quatro anos depois, na carta aos artistas do Papa João Paulo II escreve “A Igreja precisa de arquitetos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação.” (João, 1999).
■ Igreja do convento de São Domingos

Já se passaram décadas do término do concílio vaticano II, a falta de referenciais arquitetônicos é uma das causas da apatia das comunidades em relação ao que almejar no planejamento de um templo católico hoje.
O concílio vaticano II nos da diretrizes litúrgicas sobre como organizar especialmente os templos, porém sabiamente não nos da diretrizes de como a obra arquitetônica deva ser desenhada, fica a cargo dos arquitetos esta definição. E a cargo da comunidade e da Igreja saber cobrar dos arquitetos uma boa arquitetura sacra.