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Arquiteto e Urbanista, sócio fundador do escritório FAUST arquitetura em 2005, trabalhando no mercado de arquitetura, engenharia e design. Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC em 2004.Pós-graduado em Espaço celebrativo litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia [FAJE].
Assina a autoria de 108 Igrejas, 22 salões paroquiais, 18 centros de evangelização, 5 sedes de ação social e 8 casas paroquiais, em 13 estados, 57 cidades no Brasil e no México. Além disso participou em outros projetos e obras como consultor. Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra. Escreve artigos para a revista Paróquias e Casas Religiosas de São Paulo.


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arq.Eduardo.Faust | CAU A44041-8 | FAUST arquitetura | CAU 33490-1

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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

■ O QUE É PROJETO LUMINOTÉCNICO?

Por centenas de anos o formato da terra e sua organização foram divididos em duas teorias: terra plana X terra esférica. A terra plana com vantagem foi a teoria mais aceita até o século XVIII.

Os Cristão tinham como base a terra plana principalmente pelo seu sentido simbólico que aplica-se até os dias de hoje.

Temos em ordem: Céu do céu > céu > terra plana > sheol [inferno]
O sol transita pelos céus durante o dia e a noite ele cruza o inferno retornando vitorioso,  a luz que simbolizará a ressurreição, a paixão de Cristo.
Cristo faz referência direta a esta caminhada do sol.

Uma igreja adequeda ao culto gera condições de conforto que leva o fiel a reflexão e a concentração. Para que isso aconteça é primordial o uso de iluminação adequada.

Com o estudo e cálculo da luz é possível obter a atmosfera necessária antes de sua implementação, para que não se dependa de métodos empíricos usados na maioria das vezes.

Com uma iluminação devidamente pensada e calculada é possivel criar ambientes sacros com pouco investimento, em reformas este tipo de iluminação é primordial. Gerando grande economia pois a reforma física é muito mais cara do que a de iluminação.

■ O projeto luminotécnico consiste em 3 etapas:

01 ■ Criação, planejamento do efeito estético dado pela iluminação, levando em consideração as áreas de trabalho, de luz e de penumbra. Estipular conforme as normas o nível desejado de lux em cada área por exemplo: assembléia terá 100 lux e o ambão 500 lux.
 
02 ■ Cálculo de iluminância das áreas mapeadas e das luzes de efeito: São locadas [seguindo os conceitos criados na etapa 01] luminárias e lâmpadas disponíveis no mercado, obtendo o resultado de iluminância nos espaços, afim de obter os lux desejados.


   ■ Cálculo de iluminação: Esquema gráfico ilustrando as zonas de iluminação

  ■ Cálculo luminotécnico: Desenho artístico ilustrando as luzes de efeito.

 ■ Cálculo luminotécnico: Foto da obra finalizada, excutada conforme o projeto. 


03 ■ Projeto executivo: Plantas baixas e cortes locando as luminárias, lâmpadas, leds e anteparos;  lista de quantitativos e especificações técnicas.

 Além de questões de conforto e ambiência o projeto luminotécnico também trás economia, nele consta de forma exata  o número de lâmpadas e luminárias sem que haja iluminação em excesso. A escolha das lâmpadas otimizando a equação - consumo, iluminância, vida útil - visa o uso responsável e sustentável do sistema.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

■ CONCEITO DA IGREJA DE NSA SRA APARECIDA | Projeto Arq. Eduardo Faust


■ LOCALIZAÇÃO


Localizada no bairro Serraria, no denominado localmente Loteamento Canaã, a Igreja foi planejada para uma comunidade em crescimento. O bairro pertencente a cidade de São José, [cidade da grande Florianópolis] predominantemente é residencial e sofre uma urbanização rápida com muitas obras em execução, tanto de conjuntos habitacionais como de unidades residênciais. O aumento de sua densidade demográfica também se intensifica por se tratar de um zoneamento específico ARPP (Área Residencial Predominante Popular), a especificidade “popular” faz com que a área tenha lotes menores do que o mínimo estipulado pelo plano diretor que é de 30 metros por 15 metros.
   Uma igreja com 300 assentos já comportaria com facilidade a atual comunidade, mas em função dos dados citados foi feito um projeto levando em consideração as perspectivas de crescimento. Optou-se pela capacidade de 600 fiéis. 

 

O partido arquitetônico parte do gesto de fincar uma cruz ao solo, a cruz [representada pela torre] que aponta para o criador, ela é o símbolo do markabah - da condução divina - rasgando o céu e alcançando o terreno. A cruz que simboliza a intervenção divina é o proprio Cristo. 
  








O céu na arte sacra pode ser representado por uma concha, a cobertura do edifício foi desenhada como tal - representando o reino dos céus - enfatizando o conceito da cruz rasgando o céu. Pela clarabóia é possível do interior da igreja se ver o fim da torre e o céu “físico”, que aqui representa o céu do céu.  
Para que o conceito fosse facilmente visto por todos fiéis ao longo do culto, colocou-se uma cruz no interior da igreja elevando-se por todo pé direito.
 

 

















■ Ichthys

O cristianismo era proibido com pena de morte aos seus seguidores até o ano 313. Neste período foi traçado um dos mais antigos símbolos dos cristãos: O peixe. Ele era utilizado como símbolo de devoção e comunicação entre os fiéis. Este símbolo era desenhado como um código interno para comunicar o crescimento das comunidades cristãs.  
A palavra peixe no idioma grego é ίχθύς traduzido foneticamente para ICHTHYS.
Ela gera o acróstico Iésús – Christós – Theoú – Hyós – Sótér que significa: Jesus – Cristo – Deus – Filho – Salvador.


Similar a vésica piscis o Ichthys é desenhado ao centro da obra, as terminações dos traços (rabo do peixe) são as escadas que dão acesso a casa de Cristo (Jesus Cristo Deus Salvador)
Ao lado deste centro que representa cristo, temos as 12 águas do telhado emoldurando o centro, finalizando a cobertura, o abrigo dos fiéis. Os 12 apóstolos que estruturam todo cristianismo e contam a boa nova. 
  
 















 




















■ Vesica Piscis


Um símbolo antigo encontrado em culturas diversas, no Egito antigo por exemplo  encontramos tal desenho com a mesma simbologia utilizada no cristianismo. A vesica piscis simboliza: origem, gênese, nascimento, criação, ela é muito utilizado nos ícones do Cristo Pantocrator (todo poderoso) quando Cristo é desenhado representando Deus, todo poderoso criador de tudo.
O sentido de gênese e criação também é atribuído a Maria a gestora que deu luz a Cristo. No caso deste projeto o símbolo está circunscrito na geometria central, que contem o eixo cronológico de Jesus.
 











■ Assembléia


Liturgicamente o presbitério deve situar-se ao centro da igreja com a assembléia ao seu redor. Este leiaute possui algumas dificuldades de aplicação por questões de ordem prática. Logo, quanto mais a distribuição da assembléia se aproximar desta conformação mais apto a correta aplicação da liturgia o espaço estará.

A assembléia faz parte do rito, o fiel não é um espectador, isso é facilmente visível se levarmos em consideração que foram adotados bancos somente no segundo milênio, se mantém os bancos tradicionais coletivos para propiciar a união comunitária, base da Igreja.



As portas das salas e capelas não são visíveis na nave da igreja, assim como as janelas são colocadas nas terminações das “asas”. Esta disposição está a serviço do espaço sagrado que respeita o tempo sagrado, fazendo com que a experiência em seu interior tenha como entorno o tempo mítico, e não do tempo do trabalho, ao adentrar um espaço sagrado, o fiel torna-se contemporâneo as suas divindades, o relógio pode afetar a reflexão e a experiência de Deus. Além da questão temporal, este desenho também ajuda a reduzir a visualização de eventos que possam vir a distrair o fiel no culto. 

A igreja possui duas portas de entrada e uma saída de emergência aos fundos, que também é o acesso para deficientes físicos.

 




A iluminação da assembléia é realizada toda de forma indireta com luminárias desenhadas sobre os refletores, fazendo com que a própria paróquia possa fazer a manutenção de troca de lâmpadas, sem a necessidade de andaimes, excluindo a contratação de empresas. As lâmpadas utilizadas foram de vapor metálico com temperatura de cor de 4000K para definição da quantidade luminosa foi feito projeto luminotécnico.




 

■ Materiais


A igreja é composta de estrutura com: vigas e pilares de concreto armado; lajes de concreto armado mistas, pré-fabricadas e maciças; vigas metálicas treliçadas sustentam a cobertura de telhas metálicas com isolamento termo-acústico e forro de madeira.
O piso da nave é de granilite e de cimento queimado nas circulações, no presbitério temos pedra, na sala de controle carpet e o restante porcelanato.
As paredes são somente de fechamento e possuem espessuras variadas e todas são revestidas com a monocapa minerale da weber, sem reboco, detalhes são revestidos de pedras.
Esquadrias são com sistema pivotante de vidro temperado. As portas internas lisas pintadas de branco, as portas de entrada possuem um desenho específico.
 





Texto retirado da monografia "Igreja de Nossa Senhora Aparecida da Cidade de São José. Processo de Criação e Análise Arquitetônico-Litúrgica do Edifício" de minha autoria.