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ARQ EDUARDO FAUST | CAU A44041-8

Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.
Pós-graduado em Espaço celebrativo-litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Minas Gerais FAJE.

Em 2005 fundou o escritório FAUST ARQUITETURA

Assina a autoria de mais de 200 construções ligadas a Igreja em mais de 90 cidades em 14 estados no Brasil e no México.

Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

■ QUANTO CUSTA UMA IGREJA?

Uma Igreja bela, funcional e liturgicamente correta pode custar menos que uma "Igreja Galpão"?
A resposta é sim, vamos analisar e ver porque.

Análise será baseada no confronto de dois cenários: um primeiro conforme os indicadores da construção civil, ponderando as especificidades da construção de uma Igreja; e outro mostrando os custos da Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe de minha autoria.

Fachada | Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. Paróquia da Santíssima Trindade. Pároco: Frei Cácio. Projetos: Faust■Arq  [Itacorubi, Florianópolis.SC] | Fonte.: Acervo Faust■Arq


A primeira vista uma obra com visual requintado como a Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe passa a impressão de ser uma obra de alto custo. Porém a análise aqui mostra que ela chega a ser mais barata que os índices de mercado.



■ Indicadores da construção Civil utilizados:

Todos indicativos tentam resumir quanto custa um metro quadrado de uma construção final. Neste metro quadrado estará projetos, material, mão de obra e impostos. O método é simples: faz-se um orçamento completo de uma casa de 100,00 m² sendo ele R$ 100.000,00 o indicador será R$ 1.000,00 por m². Porém como custos envolvem condicionantes [número de andares, comercial, residencial, etc] cria-se cenários gerais para que esta média [indicador] seja mais exata.

CUB

O mais famoso e utilizado, e porque não dizer, o indicativo oficial da construção civil é o CUB [custo unitário básico]. Ele é elaborado mensalmente pelo SINDUSCON [Sindicato da Indústria da Construção Civil] e possui cenários distintos conforme a NBR 12721. Porém existe um CUB estadual geral que como o próprio SINDUSCON explica funciona da seguinte forma:

"O CUBm, habitualmente divulgado pelos meios de comunicação, representa a média aritmética dos 8 (oito) CUB’s Residenciais calculados para cada um dos projetos-padrão dessa modalidade."

CUB Abril/2011 | SINDUSCON Florianópolis | Fonte.: http://www.sinduscon-fpolis.org.br



Baixe a tabela atualizada em PDF no site do SINDUSCON ██ Neste Link

 
PINI

PINI é uma das maiores editoras de revistas e livros técnicos especializados de arquitetura e construção civil. A editora possui tradição na área de estimativa de custos e quantificações de obras, publicações como a revista Construção e Mercado e os livros TCPO, são ferramentas já cotidianas em construtoras. 

A PINI tem seu próprio indicativo de construção.

PINI | Março/2011 | Florianópolis | Fonte.: http://www.construcaomercado.com.br/IC



Confira a tabela atualizada no site da PINI. ██ Neste Link



■ Análise da Igreja conforme o CUB e o índice PINI.

Como podemos conferir não existe uma modalidade "Igreja", para ponderar temos os seguintes dados.

Ponderação |

Galpão industrial possui acabamento mais barato [comparado ao popular residencial] que uma igreja [telhas metálicas, pisos de porcelanato, forro de madeira, iluminação específica, etc..]. Porém possui elementos estruturais parecidos [grande vão livre obtido pela cobertura com estrutura metálica, pé direito alto].

Podemos buscar essa diferença entre acabamento padrão popular e padrão alto do uso residencial e assim criar o Industrial Padrão Alto.

PINI | Residenciais | Pop.703,99 - Alto.1275,55 =  571,56
PINI | Industrial | 948,72
Igreja [baseado no índice PINI] 948.72+571.56 = 1520.78

CUB | Residenciais | Pop.945.34 - Alto.1362.76 = 417.42
CUB | Industrial | 534.37
Igreja [baseado no CUB] 534.37 + 417.42 = 951,79

Igrejas possuem torres altas, a de Guadalupe possui 17,00m, altura equivalente a um prédio de 5.6 andares. Considerando que a torre possui uma estrutura mais pesada por esta verticalização consideraremos os índices dados a prédios da mesma altura.

PINI | Prédio médio comercial sem elevador = 1.101,41
CUB | Prédio Comercial padrão Normal = 940,99

Fazendo uma média entre os índices teremos:

Corpo da Igreja = R$ 1236,29 a cada m²
Torre = R$ 1021,20 a cada m²


Isométrica da estrutura | Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. Paróquia da Santíssima Trindade. Pároco: Frei Cácio. Projetos: Faust■Salvagni  [Itacorubi, Florianópolis.SC] | Fonte.: Acervo faust/salvagni

■ Custos da Guadalupe conforme os indicadores

Base para o cálculo é a metragem quadrada e o índice.

- Áreas da Igreja x Índice
Corpo | 337,80m² x R$ 1236,29
Torre | Projeção 6,65m² x 5,6 Pavimentos = 37.24 m² x R$ 1021,20

Custo total = R$ 455.648,25

Custos da Guadalupe conforme os quantitativos e estimativa de custos.

Base de cálculo é o orçamento detalhado baseado nos quantitativos obtidos atravez dos projetos. Levando em consideração todos elementos da obra.


Resumo da tabela de custos | Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. Paróquia da Santíssima Trindade. Pároco: Frei Cácio. Projetos: Faust■Arq  [Itacorubi, Florianópolis.SC] | Fonte.: Acervo Faust■Arq

Custo com material e parte da mão de obra = R$ 315.881,25
Custo com mão de obra restante = R$ 90.000,00
Custo com projetos e taxas R$ 40.000,00
Custo total = 445.881,25


Isométrica | Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. Paróquia da Santíssima Trindade. Pároco: Frei Cácio. Projetos: Faust■Arq[Itacorubi, Florianópolis.SC] | Fonte.: Acervo Faust■Arq

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■ ANÁLISE DOS NÚMEROS

Custo total [estimado pelos indicadores] = R$ 455.648,25
Custo total [levantamento de quantitativos] = R$ 445.881,25

Vemos que a Igreja de Guadalupe custa R$ 10.000,00 a menos que a estimada por índices.
Com este valor já podemos acabar com o mito de que "este tipo de arquitetura é mais cara", uma arquitetura pós-moderna bem pensada e funcional pode ser mais barata que uma "Igreja comum".

Por que é mais barata? 

Cerca de 60% dos custos de uma igreja estão em elementos impossíveis de se "baratear":  Estrutura + fundações [ pesada por possuir uma torre], cobertura [vão livre interno muito grande que exige estruturas metálicas].

Sendo assim os outros 40% estão em elementos que no projeto foram pensados maximizando o custo benefício tanto de materiais quanto de execução.

Alguns exemplos:
 - Para evitar gasto com reboco foram utilizados blocos de concreto canelados nas paredes [que melhoram o desempenho acústico] e no restante a monocapa, que se aplica diretamente sobre o tijolo que da um aspecto de pedra.
- O uso de porcelanato substitui o uso de granitos, em outras igrejas conseguimos belos exemplos por R$ 42,00 por metro.
- Pinus tratado [autoclavado] é a madeira com menor custo do mercado, possui alta resistência contra insetos xilófagos, porém baixa resistência mecânica, sendo assim utilizamos no forro.

- Entre outras alternativas

Entrada e mezanino | Igreja Nossa Senhora de Guadalupe. Paróquia da Santíssima Trindade. Pároco: Frei Cácio. Projetos: Faust■Arq [Itacorubi, Florianópolis.SC] | Fonte.: Acervo Faust■Arq


Igreja Nossa Senhora de Guadalupe
Paróquia da Santíssima trindade | Pároco Frei Cácio PetekovResponsável | Marcos Kram  

Itacorubi, Florianópolis, Santa Catarina, Brazil


Arquitetura e autoria: Arq Eduardo Faust

Mobiliário Litúrgico: Arq Eduardo Faust
Lightning Design: Arq Eduardo Faust
Projetos complementares: FAUST■arquitetura & engenharia
Quantitativos e estimativas de custos: FAUST■arquitetura & engenharia



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SEGUNDO EXEMPLO 
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Igreja Matriz São Sebastião

■ Paróquia São Sebastião
■ Pároco | Padre Jaime Lemos
■ Autor | Arq Eduardo Faust
■ Projetos | FAUST arquitetura & engenharia
■ Localização | Japurá, Paraná, Brasil


Veja os custos completos de uma obra nesta matéria:

http://www.arquiteturadosagrado.blogspot.com.br/2014/09/reforma-e-seus-custos-revista-paroquias.html




Reforma Passo a Passo
Matéria que escrevi para revista paróquias e casas religiosas edição Julho Agosto 2014.


Dia 10 de setembro de 2013 presidida pelo Bispo da Diocese de Umuarama Dom João Mamede foi celebrada a missa de dedicação de Igreja Matriz São Sebastião, na cidade de Japurá no estado do Paraná.

Projeto de autoria do arquiteto Eduardo Faust sob a coordenação do Pároco Padre Jaime Lemes e da comunidade da paróquia São Sebastião. 

   
O projeto trata da construção e/ou reforma completa de presbitério com 103,00 m²; sala para equipe de canto, duas sacristias, jardim, banheiro e capela somando 150,00 m²

A assembleia com 530,00 m² recebeu iluminação e o sistema elétrico foi refeito e expandido para receber a carga do sistema de condicionamento de ar.


Ao ponto final de eixo de simetria da Igreja está a Cruz com 13 metros de altura, e a emoldurando duas grandes paredes [7 metros] com desenho que nos remete a parte posterior das flechas que martirizaram o Padroeiro São Sebastião. 
“O sangue dos mártires é semente de novos cristãos” Tertuliano.


Ao lado esquerdo do presbitério foi criada uma sala para a equipe de canto e ao lado direito a capela para Nsa Sra Aparecida. 

Cruz, parede de fundos, sala e capela todas foram erguidas com estrutura metálica e revestidas com placas cimentícias. A cruz recebeu revestimento de madeira, a parede aos fundos: pedra de origem basáltica; a sala e a capela: tijolos aparentes, madeira e pintura. 


   
O desenho do mobiliário litúrgico [Altar, Ambão, Sédia] segue a mesma simbologia [das flechas], estes revestidos e estruturados com placas de travertino. 

A Fonte Batismal, recebeu placas cimentícias revestidas com granito.


Os valores foram convertidos em CUB [custo unitário básico] para que os valores expostos neste artigo mantenham-se atualizados.

  
TABELA DE CUSTOS DA OBRA


MATERIAL 
AMBIENTE / PEÇA 
 CUSTO 
CUB 
Porcelanato [Material] 
 Presbitério patamares 
 R$      13.000,00 
11,44 
Estrutura Metálica [Material] 
 Paredes fundos Presbitério; sala de músicos; capela NS; pia batismal. 
 R$      10.000,00 
8,80 
Placas Cimentícias [Material] 
 Parede fundos presbitério, pia batismal. 
 R$      19.082,00 
16,80 
Revestimentos Pedras e Tijolos Maciços [Material] 
 Paredes fundos Presbitério; presbitério, jardim, capela NS. 
 R$      12.217,50 
10,75 
Mão de Obra geral e Materiais brutos de Construção 
 Itens acima + 2 sacristias + demolição 
 R$      55.669,00 
49,00 
Pintura - Tintas, Vernizes e impermeabilizantes [Material] 

 R$       2.780,00 
2,45 
Pintura [Mão de Obra] 

 R$       4.500,00 
3,96 
Marmoraria [Material e Mão de Obra] 
 Altar, ambão, sédia, pia batismal, degraus, soleiras, bancada banheiro, pedestal NS.  
 R$      45.000,00 
39,61 
Madeira [Material e Mão de Obra] 
 Cruz, Banco ministros, sala dos músicos, entrada principal, anteparo dos refletores. 
 R$      24.450,00 
21,52 
Instalações Elétricas [Material e Mão de Obra] 
 Totalidade da obra, iluminação, ar condicionado e sonorização. 
 R$      26.530,00 
23,35 
Limpeza do forro da igreja [Mão de Obra] 

 R$          500,00 
0,44 
Projeto 
 Arquitetônico, Luminotécnico, Vistas técnicas 
 R$      15.000,00 
13,20 




Total 

 R$    228.728,50 
201,35 
 






segunda-feira, 21 de março de 2011

■ TORRE IGREJA SÃO MIGUEL ARCANJO | Autor Arq.Eduardo Faust

A igreja de São Miguel Arcanjo em São José foi completamente reformada; tornando-a adequada a liturgia pós concílio Vaticano, além de torna-la mais funcional e confortável para os fiéis. Junto da  igreja foram reformados: o salão paroquial e o centro de evangelização.

Centrarei está matéria na concepção da fachada, que envolveram os seguintes pontos e resoluções:

- O Sol que invade a igreja durante a celebração ofusca o celebrante e gera desconforto térmico no verão;
- Ao analisar a torre vi que sua estrutura está condenada, grande parte por culpa do sino que ao badalar, destruiu os fracos pilares executados. Sua armadura encontrou-se exposta e já oxidada.



■ Pilar da Torre
■ Sino interior do topo da Torre

- Troca da cobertura aumentará seu pé direito, dando uma escala mais adequada ao espaço. A torre atual não acompanharia tal proporção;

- Ausência de um átrio;

- Manter a linguagem existente, foi uma reivindicação da comunidade. Se olharmos bem para a arquitetura da Igreja, veremos que ela não possui pontos que possam caracterizar uma linguagem. 
Assim, busquei os elementos de maior expressão do edifício no caso tijolos aparentes e arcos.

■ Igreja situação antes da reforma



- Do ponto de vista da arte sacra, buscar alguma referência simbólica, no caso com seu padroeiro São Miguel, líder do exercito de anjos, guardião da Igreja.

Duas características básicas de São Miguel são suas e asas e sua lança as vezes substituída por espada.


■ Ícone do século XII | http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c9/Michael_Miracle_Icon_Sinai_12th_century.jpg
■ Igreja de São Miguel em Hamburgo

■ Catedral de São Miguel | http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Cathedral_St_Michaels_Victory.jpg



O centro da Igreja é Cristo, muitas vezes em templos o símbolo maior é esteticamente suprimido por símbolos "menores" de santos. Fazer referência ao padroeiro na fachada de um templo é uma tarefa simbolicamente arriscada. Logo, busquei a referência que une São Miguel a Cristo, o papel de protetor do seu legado.

Tenho a torre da Igreja em forma de ponta de lança com a cruz na ponta.

■ Torre em forma de Lança

■ Torre proteje contra a insolação leste e cria o átrio. Além de abrigar o sino, agora com estrutura calculada para seu funcionamento com segurança.


■ Fachada após a intervenção












quinta-feira, 3 de março de 2011

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

■ O arquiteto e o arquiteto sacro... "A forma segue o significado"

As formas, os cálculos, os fluxos, os sistemas, os materiais, as normas legais, a função dos elementos contidos, a função dos elementos que contem, o clima, a produção, a estética, a logística, a inovação, a acessibilidade, a sustentabilidade, o custo benefício, a viabilização, etc. A composição arquitetônica exige de seu autor sensibilidade e conhecimento multidisciplinar.

O saber arquitetônico pós-moderno intensificou sua relação com a filosofia e a psicologia, aumentando ainda mais o leque antes baseado na arte e na engenharia. Na construção de templos temos a soma de outra disciplina a este combinado, a ciência da religião.

Um edifício igreja deve seguir conceitos e técnicas como qualquer outra arquitetura, porém sua base deve encontrar-se na liturgia e no simbolismo. Este simbolismo é guiado por uma história de mais de dois mil anos, as decisões arquitetônicas são embasadas nos conceitos do Cristianismo - nenhuma forma deve ser gratuita.

O conceito: “a forma segue a função” [pertencente à arquitetura modernista] guiou e ainda guia as decisões arquitetônicas. Fazendo analogia de tal conceito, aos templos, podemos dizer que: “a forma segue o significado”; “a forma segue a liturgia”; “a forma segue a beleza” ou temos: “o significado é uma função”; “a liturgia é uma função”; “a beleza é uma função”.

Logo ao desenhar uma igreja os conceitos de funcionalidade são enriquecidos pelo significado [simbolismo], liturgia [comunicação com Deus], beleza [o divino]. A liturgia é definida pelos documentos relacionados ao Concílio Vaticano Ecumênico II, o significado [simbolismo] está na sagrada escritura e na filosofia cristã, a beleza está na arte sacra e no entendimento sensível da busca do sagrado; do mistério; de Deus.

Texto retirado da monografia "Igreja de Nossa Senhora Aparecida da Cidade de São José. Processo de Criação e Análise Arquitetônico-Litúrgica do Edifício" de minha autoria.

domingo, 2 de janeiro de 2011

■ Jornal da Casa | Dez/2010

Link do JORNAL DA CASA online
http://www.jornaldacasa.com/?p=483
Agradecimentos ao Cristian e ao Grupo Doc Brasil Comunicação



sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

■ O QUE É PROJETO LUMINOTÉCNICO?

Por centenas de anos o formato da terra e sua organização foram divididos em duas teorias: terra plana X terra esférica. A terra plana com vantagem foi a teoria mais aceita até o século XVIII.

Os Cristão tinham como base a terra plana principalmente pelo seu sentido simbólico que aplica-se até os dias de hoje.

Temos em ordem: Céu do céu > céu > terra plana > sheol [inferno]
O sol transita pelos céus durante o dia e a noite ele cruza o inferno retornando vitorioso,  a luz que simbolizará a ressurreição, a paixão de Cristo.
Cristo faz referência direta a esta caminhada do sol.

Uma igreja adequeda ao culto gera condições de conforto que leva o fiel a reflexão e a concentração. Para que isso aconteça é primordial o uso de iluminação adequada.

Com o estudo e cálculo da luz é possível obter a atmosfera necessária antes de sua implementação, para que não se dependa de métodos empíricos usados na maioria das vezes.

Com uma iluminação devidamente pensada e calculada é possivel criar ambientes sacros com pouco investimento, em reformas este tipo de iluminação é primordial. Gerando grande economia pois a reforma física é muito mais cara do que a de iluminação.

■ O projeto luminotécnico consiste em 3 etapas:

01 ■ Criação, planejamento do efeito estético dado pela iluminação, levando em consideração as áreas de trabalho, de luz e de penumbra. Estipular conforme as normas o nível desejado de lux em cada área por exemplo: assembléia terá 100 lux e o ambão 500 lux.
 
02 ■ Cálculo de iluminância das áreas mapeadas e das luzes de efeito: São locadas [seguindo os conceitos criados na etapa 01] luminárias e lâmpadas disponíveis no mercado, obtendo o resultado de iluminância nos espaços, afim de obter os lux desejados.


   ■ Cálculo de iluminação: Esquema gráfico ilustrando as zonas de iluminação

  ■ Cálculo luminotécnico: Desenho artístico ilustrando as luzes de efeito.

 ■ Cálculo luminotécnico: Foto da obra finalizada, excutada conforme o projeto. 


03 ■ Projeto executivo: Plantas baixas e cortes locando as luminárias, lâmpadas, leds e anteparos;  lista de quantitativos e especificações técnicas.

 Além de questões de conforto e ambiência o projeto luminotécnico também trás economia, nele consta de forma exata  o número de lâmpadas e luminárias sem que haja iluminação em excesso. A escolha das lâmpadas otimizando a equação - consumo, iluminância, vida útil - visa o uso responsável e sustentável do sistema.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

■ CONCEITO DA IGREJA DE NSA SRA APARECIDA | Projeto Arq. Eduardo Faust


■ LOCALIZAÇÃO


Localizada no bairro Serraria, no denominado localmente Loteamento Canaã, a Igreja foi planejada para uma comunidade em crescimento. O bairro pertencente a cidade de São José, [cidade da grande Florianópolis] predominantemente é residencial e sofre uma urbanização rápida com muitas obras em execução, tanto de conjuntos habitacionais como de unidades residênciais. O aumento de sua densidade demográfica também se intensifica por se tratar de um zoneamento específico ARPP (Área Residencial Predominante Popular), a especificidade “popular” faz com que a área tenha lotes menores do que o mínimo estipulado pelo plano diretor que é de 30 metros por 15 metros.
   Uma igreja com 300 assentos já comportaria com facilidade a atual comunidade, mas em função dos dados citados foi feito um projeto levando em consideração as perspectivas de crescimento. Optou-se pela capacidade de 600 fiéis. 

 

O partido arquitetônico parte do gesto de fincar uma cruz ao solo, a cruz [representada pela torre] que aponta para o criador, ela é o símbolo do markabah - da condução divina - rasgando o céu e alcançando o terreno. A cruz que simboliza a intervenção divina é o proprio Cristo. 
  

O céu na arte sacra pode ser representado por uma concha, a cobertura do edifício foi desenhada como tal - representando o reino dos céus - enfatizando o conceito da cruz rasgando o céu. Pela clarabóia é possível do interior da igreja se ver o fim da torre e o céu “físico”, que aqui representa o céu do céu.  
Para que o conceito fosse facilmente visto por todos fiéis ao longo do culto, colocou-se uma cruz no interior da igreja elevando-se por todo pé direito.
 

 















■ Ichthys

O cristianismo era proibido com pena de morte aos seus seguidores até o ano 313. Neste período foi traçado um dos mais antigos símbolos dos cristãos: O peixe. Ele era utilizado como símbolo de devoção e comunicação entre os fiéis. Este símbolo era desenhado como um código interno para comunicar o crescimento das comunidades cristãs.  
A palavra peixe no idioma grego é ίχθύς traduzido foneticamente para ICHTHYS.
Ela gera o acróstico Iésús – Christós – Theoú – Hyós – Sótér que significa: Jesus – Cristo – Deus – Filho – Salvador.


Similar a vésica piscis o Ichthys é desenhado ao centro da obra, as terminações dos traços (rabo do peixe) são as escadas que dão acesso a casa de Cristo (Jesus Cristo Deus Salvador)
Ao lado deste centro que representa cristo, temos as 12 águas do telhado emoldurando o centro, finalizando a cobertura, o abrigo dos fiéis. Os 12 apóstolos que estruturam todo cristianismo e contam a boa nova. 
  
 















 

■ Vesica Piscis


Um símbolo antigo encontrado em culturas diversas, no Egito antigo por exemplo  encontramos tal desenho com a mesma simbologia utilizada no cristianismo. A vesica piscis simboliza: origem, gênese, nascimento, criação, ela é muito utilizado nos ícones do Cristo Pantocrator (todo poderoso) quando Cristo é desenhado representando Deus, todo poderoso criador de tudo.
O sentido de gênese e criação também é atribuído a Maria a gestora que deu luz a Cristo. No caso deste projeto o símbolo está circunscrito na geometria central, que contem o eixo cronológico de Jesus.
 ■ Assembléia

Liturgicamente o presbitério deve situar-se ao centro da igreja com a assembléia ao seu redor. Este leiaute possui algumas dificuldades de aplicação por questões de ordem prática. Logo, quanto mais a distribuição da assembléia se aproximar desta conformação mais apto a correta aplicação da liturgia o espaço estará.

A assembléia faz parte do rito, o fiel não é um espectador, isso é facilmente visível se levarmos em consideração que foram adotados bancos somente no segundo milênio, se mantém os bancos tradicionais coletivos para propiciar a união comunitária, base da Igreja.



As portas das salas e capelas não são visíveis na nave da igreja, assim como as janelas são colocadas nas terminações das “asas”. Esta disposição está a serviço do espaço sagrado que respeita o tempo sagrado, fazendo com que a experiência em seu interior tenha como entorno o tempo mítico, e não do tempo do trabalho, ao adentrar um espaço sagrado, o fiel torna-se contemporâneo as suas divindades, o relógio pode afetar a reflexão e a experiência de Deus. Além da questão temporal, este desenho também ajuda a reduzir a visualização de eventos que possam vir a distrair o fiel no culto. 

A igreja possui duas portas de entrada e uma saída de emergência aos fundos, que também é o acesso para deficientes físicos.

 




A iluminação da assembléia é realizada toda de forma indireta com luminárias desenhadas sobre os refletores, fazendo com que a própria paróquia possa fazer a manutenção de troca de lâmpadas, sem a necessidade de andaimes, excluindo a contratação de empresas. As lâmpadas utilizadas foram de vapor metálico com temperatura de cor de 4000K para definição da quantidade luminosa foi feito projeto luminotécnico.




■ Materiais


A igreja é composta de estrutura com: vigas e pilares de concreto armado; lajes de concreto armado mistas, pré-fabricadas e maciças; vigas metálicas treliçadas sustentam a cobertura de telhas metálicas com isolamento termo-acústico e forro de madeira.
O piso da nave é de granilite e de cimento queimado nas circulações, no presbitério temos pedra, na sala de controle carpet e o restante porcelanato.
As paredes são somente de fechamento e possuem espessuras variadas e todas são revestidas com a monocapa minerale da weber, sem reboco, detalhes são revestidos de pedras.
Esquadrias são com sistema pivotante de vidro temperado. As portas internas lisas pintadas de branco, as portas de entrada possuem um desenho específico.
 



Texto retirado da monografia "Igreja de Nossa Senhora Aparecida da Cidade de São José. Processo de Criação e Análise Arquitetônico-Litúrgica do Edifício" de minha autoria.




quinta-feira, 25 de novembro de 2010

■ Quero um edifício que gaste pouca energia elétrica. Como faço?


A palavra de ordem para arquitetura do século XXI é: sustentabilidade; vemos uma preocupação grande de vários setores produtivos, o da construção civil não fica de fora.

Focando na questão eficiência energética vemos trabalhos sérios, mas também oportunistas pelo marketing ecológico. A ação institucional para que se possa mensurar tal aplicação é o programa brasileiro de etiquetagem do Inmetro.

Conversei com a Arquiteta Marina Vasconcelos sócia fundadora da empresa Vertes, pioneira em assessoramento para a obtenção do certificado de eficiência energética. Ela explica como funciona o sistema de certificação:

As edificações residenciais e comerciais fazem parte do Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro. Através deste programa, edifícios são avaliados e é fornecida uma etiqueta que indica o nível de eficiência do edifício, que pode variar de nível “A”, mais eficiente, a nível “E”, menos eficiente (equivalendo ao que atende menor número de exigências do Inmetro).
Didaticamente, afirma-se que, assim como diferentes eletrodomésticos possuem uma etiqueta indicando seu nível de eficiência energética, de maneira análoga, as edificações terão uma etiqueta equivalente, que indicará o resultado das avaliações de seu projeto arquitetônico, do sistema de iluminação, do sistema de condicionamento de ar, do sistema de aquecimento de água. Inicialmente, este regulamento terá um caráter voluntário para edificações novas e existentes, mas há previsão de que no futuro será obrigatório às novas edificações.

Para as edificações comerciais, de serviços e públicas, a etiqueta indica o nível de eficiência da envoltória (fachadas e coberturas, incluindo aberturas envidraçadas), do sistema de iluminação e do sistema de condicionamento de ar. Ela pode ser fornecida integralmente, ou em partes separadas: envoltória, envoltória + sistema de iluminação ou envoltória + sistema de condicionamento de ar. Tendo as três partes, recebe-se a etiqueta completa.
■ AlphaBusiness | Primeira certificação nível A do estado de SP
Para as edificações residenciais, a etiqueta avaliará as unidades habitacionais autônomas, as edificações residenciais multifamiliares como um todo e as áreas de uso comum do empreendimento. Nas unidades habitacionais autônomas os principais pontos analisados serão a envoltória e o sistema de aquecimento de água. Já nas edificações multifamiliares os pontos resultarão da ponderação da avaliação das suas unidades autônomas e da avaliação da área externa.

A avaliação do nível de eficiência energética do edifício é composta de duas etapas: etapa de avaliação de projeto, pela qual se identifica o nível de eficiência do edifício projetado, e etapa de avaliação do edifício, oportunidade em que o edifício já construído é inspecionado para verificar se as características do projeto foram atendidas

■ Matéria do Jornal Nacional | Link do Video
■ Materia da Revista Construção e Mercado | revista.construcaomercado.com.br


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

■ IGREJA DE SÃO PIO | Arq. Renzo Piano




Situada na cidade de San Giovanni Rotondo a Igreja de São Pio entra na lista das grandes catedrais pós-modernas. O autor Renzo Piano [vencedor do Pritzker 1998] baseia seus conceitos em proporções geométricas, de difícil entendimento formal o edifício possui uma estética singular e um fino acabamento.

A rígida geometria definida em planta faz com que a volumetria seja uma consequência, ao meu ver este é o principal motivo pelo qual sua estética seja mais ligada ao grotesco do que ao belo [para quem já é inciado em estética sabe que o grotesco é estético, e possui tanto valor quanto o belo].

Isto fica claro tambem comparando o conceito de que Cristo é o centro. No interior notamos a hirarquia do centro radial [definido em planta] onde encontra-se o altar, porém, uma massa disforme é gerada na volumetria externa, entre coberturas sobrepostas é dificil de se encontrar uma composição estruturada como no princípio do partido arquitetônico

Abaixo linkei dois vídeos: um primeiro muito bom, mostrando os conceitos da formulação da igreja e um segundo com imagens.








Exibir mapa ampliado


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

■ PORQUE IGREJAS SÃO PENSADAS COMO GALPÕES?


O concílio ecumênico vaticano II é a constituição da sagrada liturgia, nele contêm diretrizes sobre como organizar espacialmente os templos católicos. Datado de 1961 a 1965 ele nasce (após décadas de maturação) contemporaneamente ao pensamento pós-moderno.
Se analisarmos obras da arquitetura pós-moderna e seus expoentes maiores, veremos que uma minoria delas são templos; e podemos dizer que isso é uma novidade na história da arquitetura. Até antes da revolução industrial todo o saber arquitetônico era materializado nos templos.
Ao longo do século XX ouve uma má interpretação do funcionalismo moderno. Uma verdadeira mutação de importância, fez com que por exemplo o conceito do “fim do adorno”, transforme-se em “ausência de significado”; e o conceito de “limpeza formal” em “ausência total de composição”.
■ Exemplo de igreja com ausência de composição”.
A má interpretação somou-se a má vontade do clero de absorver a arte moderna, assim houve uma demora na aceitação dela como arte sacra. Assim templos de linguagem ou tecnicamente modernos, ilustravam em seus interiores retábulos barrocos e elementos litúrgicos em geral sem unidade artística.
Obra de John Piper | www.johnpiper.org.uk
A construção de templos com técnicas construtivas modernas [concreto e aço], passam a ser mais viáveis economicamente por conta da otimização na estrutura industrial vigente. Estas novas técnicas nortearam o pensamento moderno que desenvolveu uma nova linguagem para arquitetura, por tamanha inovação. A antipatia do clero em relação a arte moderna afastou tanto artistas como arquitetos das obras, empobrecendo muito o legado. Na falta de uma obra iconológica de arquitetura moderna sacra - que servisse de espelho deste novo momento - fez com que em grande número de casos, a arquitetura da “ausência de composição” tomasse esse papel. A construção de templos neo-ecléticos [feitos com técnicas construtivas novas, imitando os materiais antigos] foi outra solução desastrosa adotada nos edifícios.
O Papa Paulo VI escreve na conclusão do concílio vaticano II aos artistas “Hoje como ontem, a Igreja tem necessidade de vós e volta-se para vós. E diz-vos pela nossa voz: não permitais que se rompa uma aliança entre todas fecunda. Não vos recuseis a colocar o vosso talento ao serviço da verdade divina. Não fecheis o vosso espírito ao sopro do Espírito Santo.
O mundo em que vivemos tem necessidade de beleza para não cair no desespero. A beleza, como a verdade, é a que traz alegria ao coração dos homens, é este fruto precioso que resiste ao passar do tempo, que une as gerações e as faz comungar na admiração. E isto por vossas mãos.” (Paulo, 1965) Trinta e quatro anos depois, na carta aos artistas do Papa João Paulo II escreve “A Igreja precisa de arquitetos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação.” (João, 1999).
■ Igreja do convento de São Domingos

Já se passaram décadas do término do concílio vaticano II, a falta de referenciais arquitetônicos é uma das causas da apatia das comunidades em relação ao que almejar no planejamento de um templo católico hoje.
O concílio vaticano II nos da diretrizes litúrgicas sobre como organizar especialmente os templos, porém sabiamente não nos da diretrizes de como a obra arquitetônica deva ser desenhada, fica a cargo dos arquitetos esta definição. E a cargo da comunidade e da Igreja saber cobrar dos arquitetos uma boa arquitetura sacra.