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ARQ EDUARDO FAUST | CAU A44041-8

Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.
Pós-graduado em Espaço celebrativo-litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Minas Gerais FAJE.

Em 2005 fundou o escritório FAUST ARQUITETURA

Assina a autoria de mais de 200 construções ligadas a Igreja em mais de 90 cidades em 14 estados no Brasil e no México.

Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra.

sábado, 29 de setembro de 2012

■ O que é um ÍCONE

Estou aqui publicando na íntegra duas matérias que falam muito bem do assunto. Elas são de autoria do virtuoso artista sacro e iconógrafo Walter Welington, link do blog Atelier Santa Cruz.

Observações sobre a matéria.:
O filme Andrei Rublev (1966) de Andrei Tarkovsky é uma boa dica para entender a história do Iconógrafo.


ANDREI RUBLEV | Anunciação , Catedral da Anunciação 1405


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Conforme a definição técnica, ícone é a representação de uma personagem ou cena em pintura sobre madeira, não raro recoberta de um metal precioso (geralmente ouro), ela própria considerada sagrada e objeto de culto. A palavra “ícone” deriva do grego eikóna , que quer dizer “imagem, representação, gravura ou figura” O novo testamento aplica esta palavra a Cristo, quando diz que “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15).

Não se pode definir o ícone somente pelos aspectos exteriores, seria limitá-lo demais. Nele une a teologia, a arte, a liturgia e uma tradição canônica em sua confecção que remonta os primeiros séculos do cristianismo nascente. Podemos dizer, então, que é uma pintura, geralmente portátil, de gênero sagrado, executada sobre madeira com uma técnica particular, segundo uma tradição transmitida pelos séculos.Os ícones são parábolas dogmáticas, por isso eles não são belos como as obras de arte, mas como a própria verdade. E a verdade dispensa explicações, porém a explicação da verdade não elimina seu mistério.


“Enfim, Deus revela Sua Face Humana,
a Palavra se torna objeto de contemplação”
(Pavel Evdokmov)


“O ícone transcreve pela IMAGEM
a mensagem evangélica
que a Sagrada Escritura
transmite pela PALAVRA”
(Catecismo da Igreja Católica, 1160)
A PALAVRA SE FAZ IMAGEM
Os ícones haurem toda sua significação do mistério da Encarnação do Filho de Deus. Ele próprio, o ícone, a imagem do Deus invisível, é o molde ou modelo, segundo o qual se deve esculpir na alma a Imagem da Divindade que nos criou até “atingir o estado de homens feitos, de acordo com a idade madura da plenitude de Cristo” (Ef 4,13). Pois que cada ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26s; 5,1). Nesse sentido, com a Encarnação do Filho de Deus torna-se possível descrever sua imagem baseando-nos nos aspectos históricos, culturais e geográficos de sua época.

No contexto histórico firma-se sua humanidade, nascimento, infância, fase adulta e morte. O aspecto cultural exprime os traços idéias da pessoa de Cristo Deus-Homem: a figura do Bom Pastor, Cristo Mestre, Taumaturgo, Doador da Vida, dentre outros. Os traços geográficos revelam sua etnia e costumes.


A IMAGEM ACHIROPITA
São chamadas Achiropita, isto é, “não feitas por mão humanas”, algumas imagens devidas a uma intervenção prodigiosa. No mundo ocidental é conhecido o relato de Verônica (vero + ícone = verdadeira imagem) que, segundo a lenda, enxugou o rosto de Cristo em sua passagem na via sacra, ou seja, enquanto Jesus era conduzido ao Gólgota para lá ser crucificado. Conta tal episódio que ela, compadecida das dores de Cristo, quis enxugar o seu rosto que se encontrava ensanguentado devido o flagelo e teve a surpresa de ver impresso no linho a Sagrada Face.
No mundo oriental o Achiropita conhecido é o Mandillyon, nome aramaico e árabe que significa “toalha”. Tradicionalmente designa o linho sobre o qual Cristo imprimiu milagrosamente os traços de seu rosto e que mandou ao rei Abgar V, de Edessa, atual Urfa, na Turquia.
Outra imagem “não feita por mão humana” é o tão conhecido Santo Sudário, única ainda conservada. É aquela que José de Arimatéia e Nicodemos envolveu o corpo de Jesus retirado da cruz e o banhou com uma mistura de mirra e aloés, como os judeus costumavam sepultar. Este relato se encontra na Sagrada Escritura, no evangelho de S. João (19, 38-42; 20, 3-8).


S. LUCAS, O PRIMEIRO ICONÓGRAFO MARIANO
Enquanto as primeiras imagens de Jesus Cristo foram impressas de forma prodigiosa, ou seja, “não feita por mão humana”, a tipologia mariana foi inspirada por S. Lucas. Segundo uma antiqüíssima tradição a Mãe de Deus teria posado, segurando o menino-Jesus no colo, para que o evangelista a pintasse inspirado por Deus (assim representado por um anjo). O produto dessa imagem seria o modelo de todos os ícones marianos que subsistem.
O primeiro a acolher, por escrito, a tradição da autoria lucana dos ícones da Mãe de Deus foi o escritor grego Teodoro, o Leitor, no século VI, eu sua “História Eclesiástica”. Remontando uma tradição corrente no século V, ele narra a transferência do ícone de Hodghítria, de Jerusalém para Constantinopla, por iniciativa da Imperatriz Eudóxia, e registra que essa tradição atribuía a venerável imagem a São Lucas.
É perceptível pela comparação dos evangelhos sinóticos que S. Lucas busca tratar do tema da infância de Jesus com mais detalhes e, nisso, inclui sua mãe e, por isso, podemos concluir a veracidade do fato de que ele foi o primeiro a escrever em imagem (iconógrafo: ícone, “imagem” + grafo, “escrita”), senão em madeira, ao menos em rolos de pergaminhos.

O ICONÓGRAFO

O autor de ícones é chamado iconógrafo, que significa “aquele que escreve ícones”. Em relação ao artista, não se diz, portanto, que pinta ícones, mas que os escreve.
No passado, o iconógrafo era, sobretudo, um monge, enquanto familiarizado com a vida espiritual: na oração, no silêncio, na ascese, no jejum. Ele mergulhava no mundo ultraterreno e, vivendo em companhia dos santos, podia melhor exprimir o rosto e o mistério. O costume da oração e da disciplina monástica se tornava, assim, importantes componentes da ação do artista. Como modelo exemplar de monges iconógrafos, citamos: Andrei Rublev e Dionísio de Furná.
A igreja ortodoxa, ao lado de várias ordens dos santos: confessores, mártires, doutores, virgens etc., coloca também os santos iconógrafos, cuja arte é considerada um testemunho evidente de santidade. Entre eles enumera-se Santo Alípio, pintor de ícones do mosteiro das grutas de Kiev e o, já citado, Santo Andrej Rublev, canonizado pela Igreja eslava.
O Concílio Moscovita dos “Cem Capítulos” (1551) traça um exigente perfil do iconógrafo, apontando as qualidades que se deve cultivar e os defeitos a serem evitados: “o pintor de ícones deve ser humilde, dócil, piedoso, pouco falante, não zombador, não briguento, não invejoso, não beberrão, não gatuno e deve conservar a pureza da alma e do corpo”.

A ORAÇÃO E O JEJUM

Em nossos dias não há uma exigência de que seja, o iconógrafo, um monge, mas que esteja intimamente ligado à sua Igreja local e que tenha uma vida íntima de oração, pois ao pintor diz respeito somente o aspecto técnico da obra, mas toda a sua organização (diátaxis, portanto, disposição, criação, composição) pertence e depende claramente dos Santos Padres.
Logo, sem oração, o iconógrafo encontra-se morto para o mundo espiritual e ainda que possuísse perfeitamente a técnica do ícone, a sua obra sempre seria sem alma.
Existe um modelo específico de oração para o iconógrafo iniciar o seu trabalho e que se encontra nos manuais de iconografia:

“Oh Divino Mestre! Ardoroso artífice de toda a criação. Ilumina o olhar do teu servo, guarda o seu coração, rege e governa a sua mão para que, dignamente e com perfeição, possa representar a Tua Santa imagem. Para a glória, a alegria e a beleza da Tua Santa Igreja”.

E, enquanto é executada a obra, mentalmente, invoca-se ininterruptamente o nome de Jesus, na breve oração:

“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de mim”.
O melhor jejum para o iconógrafo é o da visão, pois, conforme o dizer popular: “os olhos são as janelas da alma”, é pelo sentido da visão que se pode entorpecer diretamente a alma pura. Nesse sentido a busca pela face do Senhor, conforme canta o salmista: “Tenho os olhos sempre fitos no Senhor” (Sl 24, 15), santifica a visão e o interior e o fortalece no cumprimento do seu ofício de “escritor” da imagem sacra.

O SERVIÇO DIVINO

O iconógrafo é um missionário da beleza incriada. Sua missão é tornar visível com traços e cores o espiritual, ou seja, o Divino.
O homem que cria imagem de culto não é um artista no nosso sentido. Não cria, mas serve à presença, contempla. A imagem de culto contém algo. Está em relação com o dogma, o sacramento, a realidade objetiva da Igreja. O artista de imagens de culto requer uma e missão por parte da Igreja. Seu serviço será um ministério.

AS REGRAS DO ICONÓGRAFO

I. Antes de iniciar o trabalho, faça o sinal da cruz, ora em silêncio e perdoa os teus inimigos;
II. Faça várias vezes o sinal da cruz durante o trabalho, para fortificar-se física e espiritualmente;
III. Conserva o teu espírito longe das distrações e o Senhor estará perto de ti;
IV. Cuide de cada detalhe do teu ícone como se trabalhasse diante do próprio Senhor;
V. Quando escolher uma cor, eleve interiormente tuas mãos ao Senhor e peças conselho;
VI. Não sejas invejoso do trabalho do teu próximo;
VII. Terminado o teu ícone, agradeça ao Senhor, porque a Sua misericórdia concedeu a possibilidade de pintar as Santas Imagens;
VIII. Seja tu mesmo, o primeiro a orar diante do teu ícone;
IX. Jamais esqueças:
- a alegria de difundir os ícones no mundo;
- teu trabalho deve ser de felicidade;
- tu serves, comunicas e cantas a Glória do Senhor através do teu ícone.

domingo, 16 de setembro de 2012

■ IGREJA SR BOM JESUS - ITAJAI | Autor Arq Ed.Faust


Paróquia São Cristovão | Pároco Pe Nelson Tachini SCJ
Sagrado Coração de Jesus | Dehonianos 



 Location: Salseiros, Itajaí, Santa Catarina, Brazil
Autor: Arq.Eduardo Faust
Architecture : FAUST■arquitetura
Liturgical Furniture Design: FAUST■arquitetura
Lightning Design: FAUST■arquitetura
Project Year: 2012


O que é, ou o que não é,  patrimônio histórico arquitetônico? Este sempre foi um tema polêmico e difícil. A Igreja Católica sempre desempenhou um papel fundamental na conservação de bens culturais no mundo, porém vemos que quando se trata de obras idealizadas no século XX, os organismos do estado acabam por ter maior consciência de preservação que a própria Igreja.  

A Igreja Sr Bom Jesus data do início dos anos 40, com uma linguagem bem definida de uma pequena basílica românica [planta em forma de cruz latina, nave, transepto, abside, arcos plenos ao longo de toda sua fachada].  Muitas das Igrejas desta época são demolidas ou completamente remodeladas.


Considerando o valor arquitetônico da obra como eminente patrimônio histórico, a reforma teve como meta valorizar o interior do edifício, que nitidamente não foi projetado e/ou executado com o mesmo cuidado que seu volume externo. Enquanto vemos na fachada uma harmonia entre arcos e aberturas, no interior as mesmas parecem estar desconectadas de qualquer relação compositiva. O desleixado retábulo do presbitério não condiz por exemplo com cuidado que se teve ao planejar o coroamento da torre.

Além disso temos algumas intervenções que esfriam do espaço sagrado: vidros coloridos,  forro de pvc, as paredes lisas pintadas de branco, iluminação branca homogênea.

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█ PROJETO

Nave - Antes da Reforma




Presbitério inserido na Abside da Igreja | ANTES

Presbitério projetado para melhor visualização da nave | DEPOIS




Pedra Angular

"(...) tem como alicerce os apóstolos e os profetas e como pedra angular, o próprio Cristo Jesus"
Ef 2.20-22

Pedra angular ou chave é a aduela central de arco ou de uma abóbada, no arco cruzeiro exatamente sobre o altar foi enfatizada a sua presença, simbolizando o Cristo.   

As faixas de pedra são uma constante na linguagem sacra, utilizadas desde as Igrejas bizantinas elas podem ser vistas em todos estilos posteriores.

Igreja de São Salvador em Chora na Turquia Séc.XIII. Bizantino Tardio


Antes
     
Depois
Os arcos aplicados na abside dão destaque a imagem do Sr Bom Jesus.



 No exterior a Igreja possui falsas pilastras que organizam a composição das aberturas, porém no interior o mesmo não acontecia, não havendo composição entre as aberturas no interior. Sendo assim foram criados as mesmas falsas pilastras e arcos no interior organizando estas aberturas.  


  
Fachada Atual

Antiga Iluminação


Novo Projeto Luminotécnico













terça-feira, 28 de agosto de 2012

■ Como foi a II Semana de Arquitetura Sacra em Maringá.PR

Aconteceu em Maringá no Centro Pastoral Senhor Bom Pastor, a II Semana de Arquitetura e Arte Sacra organizado pela Diocese de Umuarama, mais especificamente pela Arquiteta Angela Laino, os Padres Claudemir Capriolli, Jéferson Cruz e equipe [Ingride, Caroline, Anselmo, etc..].


Aproveitando a presença de Claudio Pastro,  eu e o artista plástico Silvio mostramos e debatemos nossos trabalhos  no dia que antecedeu o evento.


Farei algumas considerações sobre o conteúdo do evento:

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 Evento/Programação

Compuseram a lista de participantes: padres, seminaristas, arquitetos, pintores e estudantes. A troca de informações foi grande, principalmente em torno dos trabalhos expostos no átrio do edifício.

Além das palestras a programação foi enriquecida com eventos extras como a apresentação do coral  Arautos do Evangelho, mesas redondas e etc.

Centro Pastoral Bom Pastor


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██ Palestras


█ Cládio Pastro

Abrindo o evento Pastro deu ênfase aos efeitos nocivos do uso da iluminação artificial e da sonorização em nossos corpos. Listou os pontos de dissonância desses meios com a preparação corporal/mental para a experiência espiritual. Este tema também foi utilizado como alívio cômico da palestra: "temos aguentar este pirulito [microfone] entre eu e vocês"

Outro significante em seu discurso foi a importância da oração e do aprendizado da palavra na santa missa.

Num segundo momento ele mostra parte de seus trabalhos, dando mais atenção a Basílica de NS Aparecida  e obras no exterior. Neste momento ele mostra um conhecimento singular sobre referências tipologias de escolas e linguagens da arte sacra em diversos lugares do Brasil.

Na arquitetura sacra não temos um referencial, um arquiteto sacro que seja ícone da arquitetura sacra pós-moderna ou moderna brasileira. Porém na arte sacra temos -Claudio Pastro. Minha dúvida era se esta escola foi criada por ele de forma consciente. E é ai que vem o ponto mais importante da palestra: Enquanto ele unia o ícone bizantino ao desenho livre de modernistas como Matisse, ele não só queria criar a arte sacra moderna como o ícone brasileiro.

CLAUDIO PASTRO | Capela do Seminário Agostiniano. Maringá.PR 

█ Dom Ruberval Osb

Participando de todo evento o Frei Beneditino foi inspirador como sempre, teoricamente o tema era sobre as cores no espaço sagrado, porém alguém de tamanha cultura acaba por expandir todos temas "eu abro uma parênteses, depois outro parênteses e  outro parênteses e outro parênteses e outro parênteses, ao final fecho dois deles". O que mais me impressiona é que cada pedaço do conteúdo foi nitidamente produzido com longa reflexão intelectual e pessoal somada a farta fonte bibliográfica.

Ao fim ele mostrou o antes e o depois de uma correção que feita por ele em uma de suas obras, ilustrando como uma obra sacra não deve mostrar o artista e sim o sagrado.

Uma coisa que chama a atenção em ambos artistas é o respeito profundo pelas religiões, dando ênfase ao contato com sagrado e não a retóricas institucionalizadas.

DOM RUBERVAL OSB | Igreja Nossa Senhora das Graças. Maringá.PR 

█ Pe.Gustavo Hass e Angela Laino

Ambos embasaram suas palestras nos documentos da Igreja, alertando ao verdadeiro sentido dos elementos litúrgicos a luz do concílio vaticano II.

█ Pe Claudemir Capriolli com Angela Laino

Mostraram os fundamentos e de forma prática a importância das comissões diocesana de arte sacra, além de explicar o processo de desenvolvimento do projeto arquitetônico.

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█ Carta de Maringá

Os debates nas mesas redondas geraram um documento batizado como Carta de Maringá, nela foi listado os principais pontos para darmos mais passos para a implementação da arte e arquitetura sacra.
Dois pontos foram enfatizados:
- A necessidade do ensino de espaço litúrgico e arte sacra nos seminários
- A obrigatoriedade do Clero em contratar Arquitetos e Artistas especializados em obras sacras.







Obs.: A arte gráfica do cartaz é do artista plástico e designer Anselmo, as fotos foram captadas por mim e por colegas variados participantes do evento.

domingo, 19 de agosto de 2012

■ MATÉRIA REVISTA PARÓQUIAS


A revista Paróquias & Casas Religiosas é uma publicação bimestral da Promocat Marketing Integrado. Criada em agosto de 2006, ela possui uma tiragem média de 15 mil exemplares, sendo a única revista brasileira voltada para a gestão de igrejas e comunidades religiosas.





Abaixo a matéria de minha autoria com a editoria de Marcelo dos Santos. Edição jul/ago 2012. 




MÉTODO APLICADO

A partir da segunda metade século XX construir igrejas com técnicas construtivas modernas passou a ser mais viável economicamente que a até então tradicional alvenaria estrutural. Estas novas técnicas nortearam o pensamento moderno que desenvolveu uma nova linguagem para arquitetura. Mas, uma inicial antipatia do clero em relação a arte moderna afastou tanto artistas como arquitetos das obras, empobrecendo o rico legado da Igreja.
A falta de uma obra iconológica de arquitetura moderna sacra que servisse de espelho deste novo momento, fez com que a má interpretação desta arquitetura moderna, de linhas sóbrias, se perdesse na total ausência de composição e planejamento.
A maioria das igrejas passa a ser construída sem planejamento e sem preocupação com a função litúrgica do espaço. O edifício que durante milênios ensinou profissionais a fazer arquitetura hoje é tratado como um galpão com um palco ao fundo.




Igreja do Século XVIII - Igreja Nsa Sra do Rosário | Ouro Preto.MG



 Igreja do Século XX Paróquia São Judas Tadeu | Palhoça.SC



O planejamento é a chave para que as igrejas voltem a ser espaços liturgicamente corretos, convidativos a reflexão e adequados ao culto. 

█ POR ONDE COMEÇA UM PROJETO?

O arquiteto, de preferência especializado em arquitetura sacra é o profissional habilitado para criar e desenvolver o projeto. Papa João Paulo II escreveu “A Igreja precisa de arquitetos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação.”.

Porém existe um grande desnível entre a qualidade do trabalho dos arquitetos, por isso, antes de contratar veja os trabalhos já realizados e converse com paróquias que já trabalharam com ele. A inscrição no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) é obrigatória.

  


█ O QUE É PROJETO ARQUITETÔNICO?
O projeto arquitetônico está dividido em duas etapas: O projeto preliminar e o Projeto executivo


█ PROJETO PRELIMINAR:
Esta etapa inicia-se com um levantamento dos seguintes dados:
- Lista detalhada do que a comunidade e o Pároco esperam da obra [ambientes, capacidade, espaços, etc.].
- Contratação de empresas para elaboração sondagem e em caso de terrenos com declives acentuados, o levantamento topográfico.
- Documentação de ordem legal: escritura do terreno ou documento similar, “consulta de viabilidade do terreno” retirada na prefeitura.

Com esta base de dados o arquiteto cria o Projeto Preliminar. Que é o plano da arquitetura em si - a materialização da ideia do autor de como será o edifício. É nesta etapa que se percebe a qualidade da arquitetura produzida. São apresentados perspectivas, desenhos e cortes conceituais, e as simbologias Cristãs que estarão representadas no edifício.

 

█ PROJETO EXECUTIVO:
O projeto executivo é o documento que contem os dados técnicos para execução da obra. Este visa a racionalização e planejamento da obra, fazendo com que as possibilidades sejam pensadas ainda no papel, minimizando erros e desperdícios no canteiro; aumentando a produtividade e gerando economia.


█ QUAL É A DOCUMENTAÇÃO DO PROJETO EXECUTIVO?
Plantas Baixas; cortes; situação; localização e quantitativo de áreas; fachadas e perspectivas internas e externas; quadro de esquadrias; RRT de projeto arquitetônico [relatório de resp. técnica]; projeto de paginação de piso; projeto de Guarda-Corpo e corrimão; projeto de escadarias, projeto de brises e elementos de proteção; projeto de forro e pontos de iluminação; projeto de decks e mezaninos; projeto do mobiliário Litúrgico; memorial descritivo.



 Uma das pranchas do projeto executivo da Igreja Nsa Sra de Guadalupe. Florianópolis.SC
[Fonte.: Acervo Faust.Salvagni Arquitetura sacra]


█ LISTA BÁSICA PARA ANÁLISE DE UM BOM PROJETO.
■ Materiais e projetos equalizando: função + custo + resistência + estética + impacto ambiental.
■ Layout racionalizado e funcional. Áreas dimensionadas conforme o uso com mínima perda de espaço.
■ Estratégias bio-climáticas e de conforto térmico, lumínico e acústico.
■ Projetos conforme as leis do plano diretor municipal, norma de acessibilidade NBR 9050 e normas específicas conforme o uso.
■ Espaços, volumes e elementos combinados de forma compositiva.
■ O projeto do presbitério e dos elementos de liturgia são tão ou mais importantes do que o de todo edifício.

■ Relação com o entorno [vizinhos, acessos, vias públicas, gleba].
■ Estrutura racionalizada somando na estética do edifício.
■ Locação integrada de pontos de água e esgoto e de pontos de luminárias, tomadas e interruptores.
■ Definição de sistemas de serviço, reservatórios de água potável, centrais de gás, etc.
■ Significado e relações do edifício com os princípios da arte sacra cristã.



Conceito da torre da Igreja São Pedro Apóstolo. Florianópolis.SC
[Fonte.: Acervo Faust.Salvagni Arquitetura sacra]



█ PROJETOS COMPLEMENTARES
São os projetos que detalham o projeto arquitetônico. Um engenheiro ou um arquiteto especializado podem elaborar estes projetos.

█ PROJETO LUMINOTÉCNICO
Detalhamento da iluminação concebida no projeto arquitetônico. Cálculo de iluminação. Eficiência energética + conforto lumínico + ambientação. Obedecendo a norma NBR 5413.

 


Esquerda Imagem do cálculo luminotécnico. A direta a obra finalizada da Igreja Santa Cruz. São José.SC [Fonte.: Acervo Faust.Salvagni Arquitetura sacra] 

█ PROJETO ESTRUTURAL
Detalhamento da estrutura concebida no projeto arquitetônico. Cálculo estrutural para o dimensionamento dos componentes de estrutura de concreto, aço,  madeira ou alvenaria autoportante. Documentação: Cálculo estrutural; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT. Memorial descritivo.

█ PROJETO ELÉTRICO E TELECOMUNICAÇÕES
Detalhamento e dimensionamento do sistema elétrico, baseado nos pontos definidos no projeto arquitetônico. Documentação: Dimensionamento do sistema; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT; memorial descritivo. 

█ PROJETO HIDRO-SANITÁRIO
Detalhamento e dimensionamento do sistema hidráulico e de esgoto concebido no projeto arquitetônico. Documentação: Dimensionamento do sistema; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT; memorial descritivo. Aprovação junto a Vigilância Sanitária

█ PROJETO PREVENTIVO CONTRA INCÊNDIO
Detalhamento e locação de sistemas de segurança. Documentação: Dimensionamento do sistema; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT; memorial descritivo. Aprovação junto ao Corpo de Bombeiros.




sábado, 18 de agosto de 2012

■ II Semana de Arquitetura Sacra | Maringá.PR

Dia 20 de agosto embarco para Maringá.PR para a II semana de arquitetura e arte sacra, parabéns a diocese de Umuarama e obrigado ao Padre Jefersom pelo convite. 
Lá estará o paladino da arte sacra moderna Cláudio Pastro, meu professor Dom Ruberval Osb, pároco da Catedral de Porto Alegre Pe. Gustavo Hass, Pe Claudemir Afonso Capriolli e a colega Angela Laino. 


segunda-feira, 9 de julho de 2012

■ EQUIPE DE CANTO | Coro

Com a expansão do Cristianismo e após o Édito e Milão em 313, as celebrações feitas em casas [Domus Ecclesia] ganharam grandes construções que deram suporte a demanda de fiéis. As Basílicas [Pórtico Real, morada do Basileu] utilizadas como mercados e audiências públicas foram convertidas em Igrejas. A primeira foi a Basílica do Palácio, da Mulher do Imperador Constantino I. Com o tempo as Basílicas passaram a ser utilizadas exclusivamente para o culto Cristão.

As Basílicas são dotadas de uma grande nave central, com duas alas laterais de pé direito mais baixo, separadas por colunatas, aos fundos uma abside.

BASÍLICA PALEOCRISTÃ



Os elementos litúrgicos variavam de posição, o ambão na maioria dos casos próximo ao centro, a sédia e o altar variavam entre a abside e o centro. O coro sempre próximo ao centro. Num segundo momento o coro ganhou um espaço exclusivo em frente a abside com os cantores dispostos em linhas paralelas as laterais. 

ESQUEMA BASÍLICA
ESQUEMA BASÍLICA


 A partir do séc VI e VII a liturgia deixa de ser participativa e aos poucos torna-se exclusiva do clero. Com isso temos o surgimento de elementos como, a   tela do coro e o cancelo, que setorizam a Igreja  afastando a assembleia da liturgia.


Em catedrais temos em ordem: Assembléia; tela do coro [parede ornamentada com uma porta ao centro e sobre ela o cruzeiro]; o coro com suas cadeiras dispostas em linhas paralelas as laterais; um cancelo [muro balaustrado de altura baixa]; espaço da cátedra, ambão e presbíteros; aos fundos o altar-mor.

PLANTA BAIXA CATEDRAL INÍCIO SEGUNDO MILÊNIO



BANCOS DO CORO DA CATEDRAL DE SANTA CECÍLIA EM ALBI AO FUNDO TELA DO CORO

O coro estava diretamente ligado o orgão de tubos, no ritual de bençãos temos a benção do orgão: 1064 - (...) Os coros do Anjos Vos louvam, sempre obedientes a vossa vontade(...), queremos unir as nossas vozes à harmonia universal da criação.

ORGÃO CATEDRAL DE REIMS

Estes órgãos são em sua maioria locados em partes altas da nave, geralmente nos mezaninos laterais e no mezanino sobre a entrada. Sendo assim o coro também foi para os mezaninos para que o órgão pudesse acompanha-los mantendo uma unidade acústica. Hoje é tradição chamar os mezaninos de coro, mesmo que não seja dado este uso. 

A indicação litúrgica do local da equipe de canto para as Igrejas pós Concílio Vaticano II,  é de que ela faz parte da assembléia, e que deva estar voltada para aonde acontecem as ações rituais e nunca de frente para a assembléia. 

Então temos equipe de canto no mesmo patamar da assembléia sem nenhum tipo de elevação, voltado para o presbitério geralmente ao lado. Os mezaninos são projetados para assembléia, logo a equipe de canto locada nestes espaços também atende a indicações. 

Hoje nem toda Igreja tem um coro, se considerarmos que um coro é um grupo de vocalistas que basicamente com vozes devam contemplar toda harmonia e melodia da musica. Como na maioria das vezes os coros das igrejas cuidam somente da melodia faz-se necessário instrumentos sendo um coro não harmonizado. Assim chamamos hoje de "equipe de canto" ou "ministério da musica" em muitas comunidades ainda vemos ótimos coros. Em Florianópolis na Paróquia NS da Boa Viagem temos este exemplo, grupos independentes também mantêm a tradição.

■ Vídeo do grupo Cantus Firmus de Florianópolis.








quinta-feira, 21 de junho de 2012

■ JESUS HISTÓRICO | entrevista Mario Cortella

Para entender a história da arquitetura e da arte, temos que unir a história dos edifícios as questões sócio econômicas e culturais da época. Ao estudar arte e arquitetura sacra soma-se a religião ou as religiões a estas linhas paralelas.

Em entrevista ao Canal livre [08/04/2012] da rede bandeirantes o filósofo Mario Sergio Cortella, da uma aula sobre o Jesus posicionado na história.
Vale a pena assistir.


█ PARTE | 01


█ PARTE | 02


█ PARTE | 03


█ PARTE | 04


█ PARTE | 05


quinta-feira, 7 de junho de 2012

■ FUNDAÇÃO | ALICERCE | DAS IGREJAS | Autor Arq.Eduardo.Faust

A fundação somada as vigas de baldrame formam o dito alicerce da obra, para se efetuar estes trabalhos precisamos preparar e entender o solo que estamos lidando. A Igreja Nossa Senhora Aparecida no bairro Serraria, acaba de finalizar esta etapa, exigindo movimentação de terra, execução de muros de arrimo e claro, fundações. A área delimitada pelos pilares soma 720,00m² e foi executa com o sistema hélice contínua com o custo de R$ 63.000,00, veremos mais abaixo o que é, e porque foi escolhido este sistema.
A Igreja Santa Paulina no bairro Jardim Zanelatto que pertencente a mesma paróquia encontra-se nesta mesma etapa.

Primeira ação é a execução da sondagem do terreno, que auxiliará o especialista em cálculo estrutural a especificar o tipo, no caso das igrejas citadas o sistema de fundação profunda foi a melhor alternativa. O engenheiro responsável pelo projeto estrutural deve enviar a empresa de estaqueamento as plantas de cagas das fundações e a planta de locação da obra, a locação da obra é um ponto importantíssimo, pois um erro no posicionamento dos pilares se acumula até o fim da obra. A locação foi feita pelo topógrafo Alexandre Mafra, as fundações pela empresa Geotesc e o projeto estrutural pela Faust arquitetura e engenharia.

O sistema escolhido para ambas Igrejas foi a fundação profunda, estaca de hélice contínua. O relatório tido com a sondagem já prevê o tipo de fundação a ser escolhida, entre superficiais [sapatas] e as profundas [estacas].

A tradicional estaca de concreto [dita bate-estaca] é a mais utilizada pelo custo menor [entre as fundações profundas] porém outros métodos vem se popularizando e tornando-se mais atrativos, principalmente pela eficiência.

A estaca de concreto rende até 50m por dia e tem a resistência de 170tf, enquanto a hélice contínua faz 400m diários e tem a capacidade de carga de 390tf .

A execução de estacas de concreto não garantem a integridade das construções vizinhos, o proprietário antes da sua execução deve assinar termos responsabilizando-se sobre tais traumas. No caso da hélice contínua não há problemas de vibração e descompactação do terreno, esta garantia de integridade das outras construções fez com que tal sistema fosse escolhido.

■ Imagens da execução da fundação de hélice contínua da Igreja Nossa Senhora Aparecida.












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█ MAQUETE DA OBRA.: Saiba mais sobre este projeto neste link █ █ █