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ARQ EDUARDO FAUST | CAU A44041-8

Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.
Pós-graduado em Espaço celebrativo-litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Minas Gerais FAJE.

Em 2005 fundou o escritório FAUST ARQUITETURA

Assina a autoria de mais de 200 construções ligadas a Igreja em mais de 90 cidades em 14 estados no Brasil e no México.

Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

■ MADEIRA, porque usar?

■ Porque o uso da madeira na construção civil causa menos impacto ao meio ambiente?

Quanto mais a fundo entrarmos em questões ambientais chegamos a conclusão de que, a cada construção, existe uma destruição, logo, temos que pensar como fazer essa "destruição" de forma menos prejudicial ao meio ambiente.

O impacto ambiental está relacionado a toda cadeia produtiva de cada material. 
Se formos construir 4 pavilhões idênticos, um primeiro com estrutura de madeira, outro de concreto armado, outro de aço e um último de alumínio. Assim teremos a grosso modo uma comparação.

Comparando a energia despendida [simbolizado por ▓) na fabricação dos materiais até o final da obra, verifica-se a seguinte proporção:
■ Estrutura de Madeira – 1x 
■ Estrutura de Concreto armado [pré-fabricado] – 6x ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓
■ Estrutura Metálica [aço] – 16x ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓
■ Estrutura Alumínio – 160x ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓ ▓
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Arquiteta Beatriz Meyer Capela em Tatuí, SP
Cobertura leve com beiral de até 3m


■ Que classe de madeira
causa menor impacto ambiental?

As madeiras de reflorestamento, como eucalipto e pinus
elliottii são espécies de corte rápido e de replantio, sua produção é sustentável [temos poréns pelo fato do eucalipto consumir muita água e minerais do solo. Estas madeiras não possuem a mesma qualidade e resistência que as madeiras vulgarmente chamadas de "madeiras de lei", tendo de ser utilizadas em partes específicas das obras. As madeiras de reflorestamento necessitam de tratamento CCA ou CCB com autoclave para seu uso na construção civil, os custos do tratamento dobram o preço destas espécies, mas mesmo com esse acréscimo seus preços são os mais acessíveis do mercado.
A forma correta de se adquirir madeiras de lei é utilizando o corte controlado, com manejo florestal, famoso pelo selo FSC [Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal]



Arquitetos Marta Rowińska & Lech Rowiński Capela em Tarnów, Polônia
Estrutura e fechamento de Pinus


■ Durabilidade da madeira?O templo de Horyu-Ji na cidade de Nara no Japão, foi construído no ano 700, e 20% de suas madeiras ainda são originais. No brasil temos exemplos de construções com mais de 200 anos de madeira nativa.


O Fotógrafo Nego Miranda e a arquiteta Maria Wolff lançaram recentemente um livro entitulado Igrejas de Madeira do Paraná, com imagens de construções do século XIX e início do XX.





■ Os insetos Xilófagos [cupins e brocas]?


Madeiras de baixa resistência a xilófagos possuem o tratamento adequado com CCA e CCB. É facilmente encontrado no mercado, como Pinus ou eucalipto autoclavado. O tratamento torna a madeira resistente ao fungo do apodrecimento, contra cupins e brocas.


As madeiras de Lei são resistentes a ataque de xilófagos. A exceção acontece quando a madeira permanece constantemente com com altos índices de umidade, fazendo com que fungos se proliferem apresentando sinais de apodrecimento tornando a madeira apta ao consumo dos insetos.



Arquitetos Eduardo Faust e Thiago Dorini
Igreja de Santa Teresa D'ávila. Águas Mornas, SC
Forro de de angelin garante o conforto termo-acústico






quarta-feira, 21 de abril de 2010

■ IGREJA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA | PROJETO Arq Eduardo Faust





CONCEITO

01 | VIRGEM MARIA

A Vesica Piscis é um símbolo universal na arte sacra, presente em muitas religiões, acumulando o mesmo significado: da criação, da concepção.
A forma deste edifício igreja representa a criação e o nascimento de Cristo por Nossa senhora de Fátima. A Vesica piscis é o ventre de Maria, Jesus no Altar e os fiéis na assembléia, todos filhos de Nossa Senhora.




02 | O ALTAR E A MARKABAH

A centralidade da liturgia está no cenáculo, um templo é construído para celebrarmos Cristo, cumprindo o rito da santa ceia. O Altar pode também ser chamado de: Quadrado do Mundo, Centro da Terra, condução de Deus.
Por estes motivos temos o altar no ponto exato central da Igreja [centro da terra e centro da liturgia]
Em toda estenção longitudinal da cobertura do templo, temos uma claraboia desenhada com vitrais, contando a historia de Nossa Senhora. Ao centro deste vitral inserido numa vesica piscis temos o Pantocrator. Exatamente disposto sobre o altar ele faz a comunicação entre o divino [patocrator inserido numa forma originada do círculo divino] com o terreno [o altar quadrado forma que simboliza o terreno] Simbolizando o Altar [Jesus] a Markabah [condução de Deus].

03 | 4 RIOS DO PARAÍSO

Do altar brotam os 4 rios do paraíso que originam os oceanos da terra que trazem o sustento. Na simbologia do templo trás o alimento espiritual.
Além de acentuar a centralidade e dar destaque ao Altar, a cruz na planta do edifício simboliza os 4 rios citados.


04 | LINGUAGEM

Com o Concílio Vaticano II temos a volta às origens da igreja católica, assim devemos dispor somente dos elementos necessários para a celebração, sem interferência de objetos que não estejam ligados a liturgia. Algo simples, porém, belo. Algo Belo mas sem ostentação. Deve-se tomar cuidado, para que esta “limpeza” no templo não o transforme num espaço frio e estéril.
Em relação a linguagem arquitetônica, o mesmo tratado indica que a Igreja deva estar em sintonia com seu tempo.
Partindo destes princípios, o Templo foi desenhado com linguagem contemporânea, ilustrando a imagem de seu tempo. Com o auxílio do uso dos materiais, buscou-se não a linguagem das antigas igrejas, mas sim o seu calor, seu aconchego, seu silêncio, sua experiência de Deus.







quinta-feira, 15 de abril de 2010

■ PANTOCRATOR

Em muitos momentos deste blog a figura do Pantocrator será citada.
Veja a análise feita por mim com a orientação de Dom Ruberval OSB.




■ DESCRIÇÃO

Imagem em auto/baixo relevo esculpida provavelmente em uma pedra, o fato da imagem estar em preto e branco, dificulta esta análise. A composição da escultura é baseada um eixo vertical de simetria, com detalhes distintos ao longo deste eixo. O eixo citado é baseado na simetria de um homem que se encontra ao centro da figura. Este homem está envolvido por uma vesica piscis (ou mandala= amêndoa) com seus vértices no eixo central da figura. A parte inferior da vesica piscis está delicadamente apoiada sobre uma base, sobre esta base encontram–se dois personagens: a esquerda um Touro e a direita um Leão. No ponto superior a esquerda da vesica piscis encontra-se uma Águia e direita um Anjo. Estes 4 personagens formam os vértices de um retângulo imaginário que a vesica piscis está inserida. O embasamento está alinhado em ambas laterais.

As linhas que desenham a vesica piscis são adornadas com motivos geométricos, em seu módulo parece intercalar: um círculo com outro círculo em seu interior > um losango com outro losango em seu interior.

■ Descrição dos 5 personagens citados:

■ Homem ao centro

Cabelos longos repartidos ao meio tipo capacete, sem barba [imberbe] nem bigode. Atrás de sua cabeça encontrasse um circulo limitado pela vesica piscis, inserida neste circulo encontra-se uma possível cruz. Ele está vestido com túnica e sandálias, um detalhe da roupa que cai sobre seu ombro esquerdo evidencia a sua barriga grande. A Sua mão direita [a esquerda do observador] esta entendida á altura de seu ombro com a palma virada para que possamos ver. Os dedos: médio, indicador e polegar estendidos, pela imagem não pode se notar se estão levemente flexionados ou não. Os dedos: mínimo e anelar então abaixados. Este gesto faz com que sua mão saia do limite da vesica piscis que o envolve. A sua mão esquerda [a direita do observador] está sobre um livro aberto, mostrando as páginas do mesmo, o livro está apoiado sobre sua coxa esquerda. A outra perna está disposta de forma mais descansada. Ele está sentado num trono. O acento do trono possui adornos uma borda com motivos geométricos e o restante com outro padrão de motivos geométricos. Pode-se visualizar parte do encosto que também é ricamente adornada.

■ Águia [a cima - a esquerda]


É representada de perfil com a cabeça voltada para o centro e seu olho para focalizar o rosto do homem ao centro. Em sua cabeça vemos uma aureola e atrás existe um elemento compositivo que aprece ser sua asa erguida, ela faz um desenho que fecha o retângulo e toca a vesica piscis na parte superior.

■ Anjo [a cima - a direita]

É representado de frente e se acomoda como se estivesse escorado na vesica piscis. Com a cabeça levemente virada para o centro ele olha para o rosto do homem ao centro. Em sua cabeça vemos uma aureola, a partir de suas costas vemos uma asa que toca a ponta da vesica piscis fechando o retângulo. Em suas mão ele abaixo de seu braço esquerdo ele segura algo que não consigo descrever.

■ Touro [a baixo - a esquerda]

É representado de perfil e está voltado para o lado esquerdo da figura [para o lado de fora] Sua cabeça está voltada para esquerda [para fora] para onde também direciona seu olhar. Podemos ver uma asa à frente que cobre todo seu corpo e vemos a sua segunda asa nos fundos erguida fechando o retângulo. Ele possui aureola.

■ Leão [a baixo - a direita]

É representado de perfil e está voltado para o lado direito da figura [para o lado de fora] Porém sua cabeça está voltada para esquerda direcionando seu olhar a cabeça do homem ao centro da figura. O corpo está dividido em duas texturas diferentes, a traseira parece ser de um leão e a frontal fica difícil de descrever. A cabeça também fica difícil de descrever, sendo mais próximo de leão. Sendo assim consideremos que é um leão.



■ INTERPRETAÇÃO

A figura é um Cristo Pantacrator [pantokrator] pintado muitas vezes no interior de cúpulas sobre o local onde os fieis recebem a comunhão. É o elemento que comunica o terreno ao divino. O pantocrator pela própria etimologia da palavra significa Todo poderoso, símbolos que fazem menção a este conceito estão dispostos na imagem, como veremos mais a frente.

O pantocrator é representado na maioria das vezes em busto, sendo o principal motivo a ênfase a sua expressão facial como “centro” da imagem. E mesmo sem cores e representado de corpo inteiro, o artista neste trabalho consegue manter a face como principal elemento. Simbologia dos personagens da figura: Jesus Cristo:


Na mão direita, Ele faz o com os dedos erguidos sinal do Deus trino [pai, filho, espírito santo] este sinal deve ser feito os dedos levemente flexionados simbolizando ternura. A acentuação do baixo relevo da divisão das falanges é um indício de que a imagem mostra isso. Os outros dois dedos flexionados simbolizam: verdadeiro homem/verdadeiro Deus...Jesus Cristo.




Com a mão esquerda ele mostra a Palavra de Deus. Em outras representações a Bíblia pode estar fechada ou num rolo, deixando claro que a principal simbologia é a palavra como um todo, e não a inscrição que aproveita-se para fazer nas páginas abertas; como

nesta figura. A vestimenta de Cristo é bela, porém pouco adornada, ela representa a beleza sem suntuosidade que a liturgia deve seguir.



A barriga de Jesus ilustra o feminino, cristo imagem do Deus-mãe, grávida da salvação humana. O trono ilustra a posição de quem preside algo, de quem lidera. A própria imagem ajuda a dar sentido a Sédia elemento básico da liturgia. A auréola mostra se tratar de uma divindade, os 3 traços aparentes no interior da auréola são da cruz que representa o sacrifício. Muitas vezes estes traços da cruz possuem inscrições que simbolizam Cristo, a figura de Cristo, como Filho de Deus é utilizada para representar Deus, pois Ele é a imagem visível do Deus invisível.


O rosto de Cristo expressa o esquema de Rudolf Otto do:

- Deus Tremendum: Temor [tremendum], Poder [Majestas] e Energia [Orgé].

- Deus Fascinans: Santo [Augustos], Prudência [Sebastus]

O leão somado ao anjo, e a águia, são elementos que representam o homem. O leão exprime os sentimentos; a águia o intelecto; o anjo a espiritualidade.


■ SIMBOLOGIA:

O círculo representa o divino e o quadrado o terreno. Pois o quadrado se origina a partir do círculo. Nesta figura vemos o círculo representado pela vesica piscis que é gerada a partir da intersecção de dois círculos, e o quadrado por um retângulo. A vesica piscis simboliza o arquétipo de todas as formas de existência do Mundo Imanente. Jesus inserido no interior da figura simboliza Cristo a imagem de Deus criador.

Todos elementos simbólicos inseridos no interior da vesica piscis fazem menção ao divino, assim como os personagens na periferia da vesica piscis ilustram o terreno. Da forma como estes personagens se organizam origina-se o retângulo. Logo, quando os elementos terrenos buscam as formas do divino, cria-se uma nova forma harmônica com a que lhe deu origem. A passagem do divino pelo terreno é ilustrada pela mão direita que atravessa a elipse. Simbolizando obviamente a passagem do verdadeiro homem, verdadeiro Deus pela terra.


■ SAIBA MAIS.:
■ ■ Blog Dom Ruberval OSB
http://livroquadrado.blogspot.com/


sábado, 20 de março de 2010

■ CATEDRAL DE CRISTO LUZ - OAKLAND CALIFORNIA EUA | Projeto.: Skidmore, Owings and Merrill

Projetada pelo multinacional escritório Skidmore, Owings and Merrill, a "Cathedral of Christ the Light" faz uso da alta tecnologia e do desenho contemporâneo a serviço de conceitos sacros, sendo um belo exemplo de templo desenhado conforme as indicações do concílio vaticano II.

O conceito básico da luz, pode ser notado pelo engenhoso controle da iluminação natural, e pelo pantocrator projetado no tímpano frontal, que podendo ser visualizado tanto no interior, quanto no exterior da obra.

Seu presbitério chama atenção pelo destaque do Altar e Ambão. O altar é disposto com ênfase em sua centralidade, a quantidade de degraus é discutível, pois pode ser interpretado de forma a distanciar excessivamente a assembleia, dando a impressão de algo inalcançável. Porém é inegável o seu resultado quanto destaque e centralidade na liturgia.

O ambão retorna ao ambão medieval, o púlpito, que particularmente me agrada muito pela simbologia de ao proclamar a palavra elevar-se [significado da palavra ambão].

Também chama a atenção o grande número de capelas

Um grande acerto que deve ser levado como regra, é o uso de materiais crus, vemos madeira, concreto aparente, aço e etc... São materiais largamente utilizados na arquitetura modernista e seus derivados, mas que na Igreja possuem um significado especial por se tratar de materiais expostos como realmente são, sem maquiagem, quando se trata do cristianismo Cristo é a verdade então ele deve ser celebrado com verdade.

Um vídeo postado mais abaixo explica todos conceitos aplicados no prédio.
















■ Video com os conceitos da obra



■ Site da paróquia
http://www.ctlcathedral.org

■ Arquivos PDF sobre os conceitos da Igreja
http://www.ctlcathedral.org/resources/adult.shtml

■ Sobre a obra, site Skidmore, Owings and Merrill
http://www.som.com/content.cfm/into_the_light


Exibir mapa ampliado



terça-feira, 1 de dezembro de 2009

■ IGREJA DE SANTA TERESA D'ÁVILA | PROJETO Arq. Eduardo Faust e Arq. Thiago Dorini


Dois arquitetos são chamados para projetar a réplica de um templo católico no interior de “Águas Mornas”, município de economia predominantemente agrícola, que conta 14 hab/km2 distribuídos em seu relevo montanhoso. Teresópolis é o topônimo da comunidade.

O substantivo “comunidade” e não “bairro”, no caso, provém do isolamento geográfico da localidade e de outras muitas do mesmo gênero, na região.

Colonizada por alemães, a comunidade mantém intacta parte de sua cultura, porém, arquitetonicamente falando, nela nada se distingue.

Estamos falando dos cerca de 600 católicos franciscanos [devotos de Santa Teresa D’ávila] que lá vivem, os quais assistiram à sua igreja centenária − seu referencial arquitetônico e ponto de encontro e confraternização − ser destruída em razão de sua estrutura condenada.

Tínhamos uma comunidade disposta a aprender mais sobre as possibilidades arquitetônicas e arquitetos a fim de saber mais sobre a cultura e costumes locais. Assim, delineou-se o projeto em conjunto, de forma participativa, promovendo-se reuniões quinzenais com a comunidade − agrupados nelas, obviamente, membros da administração da própria igreja, Diáconos e Padre da paróquia regional [Pároco].

Graças a esse contato direto com a comunidade o processo de releitura se estendeu além de um exercício estético formal. Mesmo possuindo um desenho de linguagem contemporânea, configurou-se uma edificação que a população local se identificou de imediato. Fazendo uma reflexão rápida, vemos que o importante deste processo foi a união do conhecimento do arquiteto, geralmente embasado em experiências em grandes centros de países de economia forte, ser moldado pelo conhecimento e/ou costumes específicos de uma pequena população campestre.






■ Inauguração
No dia de abertura da primavera [23/09/2007] a exatos 142 anos após a construção da primeira capela, foi inaugurada a Igreja de Santa Teresa D'avila na localidade de Teresópolis.
A missa solene foi presidida pelo arcebispo Dom Murilo Sebastião Krieger.







■ 7ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo
Único evento brasileiro assinalado no calendário internacional da arte e da arquitetura, há meio século a Bienal Internacional de São Paulo vem projetando o Brasil no cenário mundial, sendo considerada, junto com a Bienal de Veneza, o mais importante evento do gênero entre os mais de cinqüenta existentes no mundo.

Entre 120 obras de vários paises está a Igreja Comunitária de Teresópolis

A 7ª Bienal Internacional de São Paulo acontece do dia 11/nov a 16/dez no prédio da fundação Bienal no parque Ibirapuera em São Paulo.



Catálogo da exposição [CAPA]


Catálogo da exposição [Página referente a Igreja Comunitária de teresópolis]






■ IMPRENSA


■ A NOTÍCIA






Os santos comemoram
Projeto de igreja em Águas Mornas é selecionado para a Bienal Internacional de Arquitetura em SP
Ainá Vietro
Florianópolis
Por fora uma construção desgastada, com tijolos à vista e pintura branca na torre. Por dentro, uma estrutura condenada. A Igreja Comunitária de Teresópolis, comunidade próxima ao município de Águas Mornas, na Grande Florianópolis, era assim havia dois anos. Agora, o que se vê no terreno é uma igreja contemporânea, criada a partir de uma releitura da antiga. O projeto, feito por dois arquitetos de Florianópolis, foi selecionado para a 7a Bienal Internacional de Arquitetura, que começa no dia 10 de novembro, em São Paulo.
Quando o engenheiro José Freitas apresentou laudo confirmando que a estrutura estava condenada, os moradores decidiram tomar uma atitude drástica. Demolir a igreja, construída há 140 anos, e fazer uma réplica. Para ajudar no trabalho, o engenheiro convidou os arquitetos Eduardo Faust e Thiago Dorini, que elaboraram o projeto. A primeira dificuldade, conta Faust, é que as famílias moram distantes uma das outras, e inicialmente não havia referências para o projeto.
Foi aí que surgiu necessidade de reuniões quinzenais, em que participaram moradores, diáconos e o pároco. “Na primeira reunião, apresentamos imagens de igrejas ousadas. Aí, eles falaram que queriam mesmo uma réplica”, lembra Faust. Com base no pedido, os arquitetos arriscaram e a cada encontro apresentavam novas idéias.
Três módulos foram mantidos: a torre principal, o corpo da igreja e características góticas, como o arco ogival na porta de entrada que foi transferido para as laterais. “Os pontos de releitura foram esses, resolvidos em várias conversas”, relembra Dorini. O telhado plissado forma calhas e resulta em um sistema de escoamento interno, resolvido sem calhas aparentes. O formato ajuda, ainda, na acústica. As laterais também foram elaboradas em 12 nichos, em que serão estátuas dos apóstolos.
Faust aproveitou a posição da igreja, com altar voltado para Oeste, e fez um pequeno teto de vidro. “No fim de tarde a luz do Sol entra e ilumina o Cristo.” Outro ponto interessante nesse aspecto é a iluminação indireta, que não ofusca a visão de quem está no interior da igreja. O espaço interno foi ampliado. Antes, no máximo cem pessoas ficavam dentro da igreja. Hoje, os 600 católicos franciscanos, devotos de Santa Teresa D’Ávila, já podem se reunir para uma missa.
As preocupações com a parte climática, sustentabilidade e aproveitamento dos recursos disponíveis são características do projeto. “Nunca fiz nada sem pensar no conforto ambiental”, ressalta Faust.
A inauguração da igreja foi em 23 de setembro. No dia seguinte, os arquitetos receberam a notícia da seleção. Para a dupla, o que fez diferença foi o contato com a comunidade.
aina.vietro@an.com.br

Link para a matéria no Jornal


■ DC [DIÁRIO CATARINENSE]










■ Revista ÁREA



EXPO
A 7ª edição da Bienal Internacional de Arquitetura, realizada em São Paulo, revelou talentos e muita criatividade na apresentação de soluções voltadas à sustentabilidade. Projetos catarinenses estiveram em evidência, revelando o potencial dos profissionais locais. A jornalista Simone Bobsin esteve lá e apresenta aqui as suas impressões sobre este que é um dos maiores eventos de arquitetura do mundo

Texto Simone Bobsin


A BIA, COMO É CARINHOSAMENTE APELIDADA a Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em sua sétima edição abrigou trabalhos de profissionais estrangeiros e brasileiros, dentre os quais vários catarinenses. A exposição ocupou os 25 mil m2 do prédio da Fundação Bienal, instituição que, ao lado do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), organizou a mostra. Considerado um dos maiores acontecimentos do ramo no mundo, a 7ª BIA foi encerrada em 16 de dezembro após 40 dias de evento, contabilizando números que impressionam: 1.237 projetos de 818 arquitetos, 300 maquetes e um público de 120 mil visitantes.
O próprio Pavilhão da Bienal, erguido em concreto, aço e vidro no Parque do Ibirapuera sob o traço do nosso ilustre Oscar Niemeyer, era um destaque à parte. A história do projeto, ilustrada por desenhos originais, ocupou a Sala Especial dedicada ao centenário mestre. Niemeyer foi um dos homenageados desta edição, ao lado de Paulo Mendes da Rocha, os dois únicos profissionais brasileiros a conquistar o Pritzker, prêmio máximo da arquitetura mundial.

Catarinenses

Dos 125 trabalhos que integraram a Exposição Geral de Arquitetos, dois levavam a assinatura de catarinenses. Um deles, o da Igreja Comunitária de Teresópolis, localizada nas imediações do município de Águas Mornas, na Grande Florianópolis, é fruto da parceria entre os arquitetos Thiago Dorini e Eduardo Faus, da capital, que destacaram o processo participativo na definição do desenho. Em reuniões quinzenais com os profissionais, a comunidade debatia, deliberava e aprovava as etapas do projeto em desenvolvimento. Entretanto, ao invés de construir uma réplica da igreja já existente, como a comunidade havia sugerido, os arquitetos propuseram uma releitura contemporânea do edifício original, idéia aprovada em uma dessas reuniões.
A Requalificação dos Jardins do Palácio Cruz e Souza, em Florianópolis, foi o outro representante de Santa Catarina na Exposição Geral. O projeto inicial dos ex-colegas de faculdade Rafael Alschinger, Maurício Holler e Tatiana Pretto, idealizado há oito anos, previa apenas uma intervenção paisagística no Museu Histórico de Santa Catarina. Porém, a pesquisa arqueológica necessária para a edificação, erguida no século XVIII, exigiu a revisão do projeto e a sua readequação, a fim de preservar o material encontrado nas escavações. Um novo projeto foi então concebido, aprovado e executado em 2006. Parte das ruínas foi exposta em caixas de vidro transparente, iluminadas internamente, revelando mais um importante capítulo da história catarinense no Palácio, que é aberto ao público diariamente.
Quem circulou pela Exposição de Arquitetos Brasileiros Convidados deparou-se com um diversificado panorama da arquitetura nacional. Um dos 12 participantes era Roberto Simon, único representante de Santa Catarina convidado para esta que era a seção mais selecionada da 7ª BIA. Simon levou para o evento amostras dos seus 25 anos de trabalho na liderança do escritório Studio Domo. Entre os projetos apresentados estavam os da loja Guga Kuerten, do Centro Médico Baía Sul, do Residencial Vila Ramos e da Indústria Farmacêutica Milian.

Leia o resto dessa matéria na versão impressa da Revista Área - Edição de janeiro.


■ PROGRAMA ESTÚDIO 36 | TVCOM RBS