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ARQ EDUARDO FAUST | CAU A44041-8

Graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina UFSC.
Pós-graduado em Espaço celebrativo-litúrgico e arte-sacra na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Minas Gerais FAJE.

Em 2005 fundou o escritório FAUST ARQUITETURA

Assina a autoria de mais de 200 construções ligadas a Igreja em mais de 90 cidades em 14 estados no Brasil e no México.

Ministra palestras e Cursos em Arquitetura Sacra.

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sábado, 29 de setembro de 2012

■ O que é um ÍCONE

Estou aqui publicando na íntegra duas matérias que falam muito bem do assunto. Elas são de autoria do virtuoso artista sacro e iconógrafo Walter Welington, link do blog Atelier Santa Cruz.

Observações sobre a matéria.:
O filme Andrei Rublev (1966) de Andrei Tarkovsky é uma boa dica para entender a história do Iconógrafo.


ANDREI RUBLEV | Anunciação , Catedral da Anunciação 1405


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Conforme a definição técnica, ícone é a representação de uma personagem ou cena em pintura sobre madeira, não raro recoberta de um metal precioso (geralmente ouro), ela própria considerada sagrada e objeto de culto. A palavra “ícone” deriva do grego eikóna , que quer dizer “imagem, representação, gravura ou figura” O novo testamento aplica esta palavra a Cristo, quando diz que “Ele é a imagem do Deus invisível” (Cl 1,15).

Não se pode definir o ícone somente pelos aspectos exteriores, seria limitá-lo demais. Nele une a teologia, a arte, a liturgia e uma tradição canônica em sua confecção que remonta os primeiros séculos do cristianismo nascente. Podemos dizer, então, que é uma pintura, geralmente portátil, de gênero sagrado, executada sobre madeira com uma técnica particular, segundo uma tradição transmitida pelos séculos.Os ícones são parábolas dogmáticas, por isso eles não são belos como as obras de arte, mas como a própria verdade. E a verdade dispensa explicações, porém a explicação da verdade não elimina seu mistério.


“Enfim, Deus revela Sua Face Humana,
a Palavra se torna objeto de contemplação”
(Pavel Evdokmov)


“O ícone transcreve pela IMAGEM
a mensagem evangélica
que a Sagrada Escritura
transmite pela PALAVRA”
(Catecismo da Igreja Católica, 1160)
A PALAVRA SE FAZ IMAGEM
Os ícones haurem toda sua significação do mistério da Encarnação do Filho de Deus. Ele próprio, o ícone, a imagem do Deus invisível, é o molde ou modelo, segundo o qual se deve esculpir na alma a Imagem da Divindade que nos criou até “atingir o estado de homens feitos, de acordo com a idade madura da plenitude de Cristo” (Ef 4,13). Pois que cada ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26s; 5,1). Nesse sentido, com a Encarnação do Filho de Deus torna-se possível descrever sua imagem baseando-nos nos aspectos históricos, culturais e geográficos de sua época.

No contexto histórico firma-se sua humanidade, nascimento, infância, fase adulta e morte. O aspecto cultural exprime os traços idéias da pessoa de Cristo Deus-Homem: a figura do Bom Pastor, Cristo Mestre, Taumaturgo, Doador da Vida, dentre outros. Os traços geográficos revelam sua etnia e costumes.


A IMAGEM ACHIROPITA
São chamadas Achiropita, isto é, “não feitas por mão humanas”, algumas imagens devidas a uma intervenção prodigiosa. No mundo ocidental é conhecido o relato de Verônica (vero + ícone = verdadeira imagem) que, segundo a lenda, enxugou o rosto de Cristo em sua passagem na via sacra, ou seja, enquanto Jesus era conduzido ao Gólgota para lá ser crucificado. Conta tal episódio que ela, compadecida das dores de Cristo, quis enxugar o seu rosto que se encontrava ensanguentado devido o flagelo e teve a surpresa de ver impresso no linho a Sagrada Face.
No mundo oriental o Achiropita conhecido é o Mandillyon, nome aramaico e árabe que significa “toalha”. Tradicionalmente designa o linho sobre o qual Cristo imprimiu milagrosamente os traços de seu rosto e que mandou ao rei Abgar V, de Edessa, atual Urfa, na Turquia.
Outra imagem “não feita por mão humana” é o tão conhecido Santo Sudário, única ainda conservada. É aquela que José de Arimatéia e Nicodemos envolveu o corpo de Jesus retirado da cruz e o banhou com uma mistura de mirra e aloés, como os judeus costumavam sepultar. Este relato se encontra na Sagrada Escritura, no evangelho de S. João (19, 38-42; 20, 3-8).


S. LUCAS, O PRIMEIRO ICONÓGRAFO MARIANO
Enquanto as primeiras imagens de Jesus Cristo foram impressas de forma prodigiosa, ou seja, “não feita por mão humana”, a tipologia mariana foi inspirada por S. Lucas. Segundo uma antiqüíssima tradição a Mãe de Deus teria posado, segurando o menino-Jesus no colo, para que o evangelista a pintasse inspirado por Deus (assim representado por um anjo). O produto dessa imagem seria o modelo de todos os ícones marianos que subsistem.
O primeiro a acolher, por escrito, a tradição da autoria lucana dos ícones da Mãe de Deus foi o escritor grego Teodoro, o Leitor, no século VI, eu sua “História Eclesiástica”. Remontando uma tradição corrente no século V, ele narra a transferência do ícone de Hodghítria, de Jerusalém para Constantinopla, por iniciativa da Imperatriz Eudóxia, e registra que essa tradição atribuía a venerável imagem a São Lucas.
É perceptível pela comparação dos evangelhos sinóticos que S. Lucas busca tratar do tema da infância de Jesus com mais detalhes e, nisso, inclui sua mãe e, por isso, podemos concluir a veracidade do fato de que ele foi o primeiro a escrever em imagem (iconógrafo: ícone, “imagem” + grafo, “escrita”), senão em madeira, ao menos em rolos de pergaminhos.

O ICONÓGRAFO

O autor de ícones é chamado iconógrafo, que significa “aquele que escreve ícones”. Em relação ao artista, não se diz, portanto, que pinta ícones, mas que os escreve.
No passado, o iconógrafo era, sobretudo, um monge, enquanto familiarizado com a vida espiritual: na oração, no silêncio, na ascese, no jejum. Ele mergulhava no mundo ultraterreno e, vivendo em companhia dos santos, podia melhor exprimir o rosto e o mistério. O costume da oração e da disciplina monástica se tornava, assim, importantes componentes da ação do artista. Como modelo exemplar de monges iconógrafos, citamos: Andrei Rublev e Dionísio de Furná.
A igreja ortodoxa, ao lado de várias ordens dos santos: confessores, mártires, doutores, virgens etc., coloca também os santos iconógrafos, cuja arte é considerada um testemunho evidente de santidade. Entre eles enumera-se Santo Alípio, pintor de ícones do mosteiro das grutas de Kiev e o, já citado, Santo Andrej Rublev, canonizado pela Igreja eslava.
O Concílio Moscovita dos “Cem Capítulos” (1551) traça um exigente perfil do iconógrafo, apontando as qualidades que se deve cultivar e os defeitos a serem evitados: “o pintor de ícones deve ser humilde, dócil, piedoso, pouco falante, não zombador, não briguento, não invejoso, não beberrão, não gatuno e deve conservar a pureza da alma e do corpo”.

A ORAÇÃO E O JEJUM

Em nossos dias não há uma exigência de que seja, o iconógrafo, um monge, mas que esteja intimamente ligado à sua Igreja local e que tenha uma vida íntima de oração, pois ao pintor diz respeito somente o aspecto técnico da obra, mas toda a sua organização (diátaxis, portanto, disposição, criação, composição) pertence e depende claramente dos Santos Padres.
Logo, sem oração, o iconógrafo encontra-se morto para o mundo espiritual e ainda que possuísse perfeitamente a técnica do ícone, a sua obra sempre seria sem alma.
Existe um modelo específico de oração para o iconógrafo iniciar o seu trabalho e que se encontra nos manuais de iconografia:

“Oh Divino Mestre! Ardoroso artífice de toda a criação. Ilumina o olhar do teu servo, guarda o seu coração, rege e governa a sua mão para que, dignamente e com perfeição, possa representar a Tua Santa imagem. Para a glória, a alegria e a beleza da Tua Santa Igreja”.

E, enquanto é executada a obra, mentalmente, invoca-se ininterruptamente o nome de Jesus, na breve oração:

“Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, tende piedade de mim”.
O melhor jejum para o iconógrafo é o da visão, pois, conforme o dizer popular: “os olhos são as janelas da alma”, é pelo sentido da visão que se pode entorpecer diretamente a alma pura. Nesse sentido a busca pela face do Senhor, conforme canta o salmista: “Tenho os olhos sempre fitos no Senhor” (Sl 24, 15), santifica a visão e o interior e o fortalece no cumprimento do seu ofício de “escritor” da imagem sacra.

O SERVIÇO DIVINO

O iconógrafo é um missionário da beleza incriada. Sua missão é tornar visível com traços e cores o espiritual, ou seja, o Divino.
O homem que cria imagem de culto não é um artista no nosso sentido. Não cria, mas serve à presença, contempla. A imagem de culto contém algo. Está em relação com o dogma, o sacramento, a realidade objetiva da Igreja. O artista de imagens de culto requer uma e missão por parte da Igreja. Seu serviço será um ministério.

AS REGRAS DO ICONÓGRAFO

I. Antes de iniciar o trabalho, faça o sinal da cruz, ora em silêncio e perdoa os teus inimigos;
II. Faça várias vezes o sinal da cruz durante o trabalho, para fortificar-se física e espiritualmente;
III. Conserva o teu espírito longe das distrações e o Senhor estará perto de ti;
IV. Cuide de cada detalhe do teu ícone como se trabalhasse diante do próprio Senhor;
V. Quando escolher uma cor, eleve interiormente tuas mãos ao Senhor e peças conselho;
VI. Não sejas invejoso do trabalho do teu próximo;
VII. Terminado o teu ícone, agradeça ao Senhor, porque a Sua misericórdia concedeu a possibilidade de pintar as Santas Imagens;
VIII. Seja tu mesmo, o primeiro a orar diante do teu ícone;
IX. Jamais esqueças:
- a alegria de difundir os ícones no mundo;
- teu trabalho deve ser de felicidade;
- tu serves, comunicas e cantas a Glória do Senhor através do teu ícone.

domingo, 19 de agosto de 2012

■ MATÉRIA REVISTA PARÓQUIAS


A revista Paróquias & Casas Religiosas é uma publicação bimestral da Promocat Marketing Integrado. Criada em agosto de 2006, ela possui uma tiragem média de 15 mil exemplares, sendo a única revista brasileira voltada para a gestão de igrejas e comunidades religiosas.





Abaixo a matéria de minha autoria com a editoria de Marcelo dos Santos. Edição jul/ago 2012. 




MÉTODO APLICADO

A partir da segunda metade século XX construir igrejas com técnicas construtivas modernas passou a ser mais viável economicamente que a até então tradicional alvenaria estrutural. Estas novas técnicas nortearam o pensamento moderno que desenvolveu uma nova linguagem para arquitetura. Mas, uma inicial antipatia do clero em relação a arte moderna afastou tanto artistas como arquitetos das obras, empobrecendo o rico legado da Igreja.
A falta de uma obra iconológica de arquitetura moderna sacra que servisse de espelho deste novo momento, fez com que a má interpretação desta arquitetura moderna, de linhas sóbrias, se perdesse na total ausência de composição e planejamento.
A maioria das igrejas passa a ser construída sem planejamento e sem preocupação com a função litúrgica do espaço. O edifício que durante milênios ensinou profissionais a fazer arquitetura hoje é tratado como um galpão com um palco ao fundo.




Igreja do Século XVIII - Igreja Nsa Sra do Rosário | Ouro Preto.MG



 Igreja do Século XX Paróquia São Judas Tadeu | Palhoça.SC



O planejamento é a chave para que as igrejas voltem a ser espaços liturgicamente corretos, convidativos a reflexão e adequados ao culto. 

█ POR ONDE COMEÇA UM PROJETO?

O arquiteto, de preferência especializado em arquitetura sacra é o profissional habilitado para criar e desenvolver o projeto. Papa João Paulo II escreveu “A Igreja precisa de arquitetos, porque tem necessidade de espaços onde congregar o povo cristão e celebrar os mistérios da salvação.”.

Porém existe um grande desnível entre a qualidade do trabalho dos arquitetos, por isso, antes de contratar veja os trabalhos já realizados e converse com paróquias que já trabalharam com ele. A inscrição no Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) é obrigatória.

  


█ O QUE É PROJETO ARQUITETÔNICO?
O projeto arquitetônico está dividido em duas etapas: O projeto preliminar e o Projeto executivo


█ PROJETO PRELIMINAR:
Esta etapa inicia-se com um levantamento dos seguintes dados:
- Lista detalhada do que a comunidade e o Pároco esperam da obra [ambientes, capacidade, espaços, etc.].
- Contratação de empresas para elaboração sondagem e em caso de terrenos com declives acentuados, o levantamento topográfico.
- Documentação de ordem legal: escritura do terreno ou documento similar, “consulta de viabilidade do terreno” retirada na prefeitura.

Com esta base de dados o arquiteto cria o Projeto Preliminar. Que é o plano da arquitetura em si - a materialização da ideia do autor de como será o edifício. É nesta etapa que se percebe a qualidade da arquitetura produzida. São apresentados perspectivas, desenhos e cortes conceituais, e as simbologias Cristãs que estarão representadas no edifício.

 

█ PROJETO EXECUTIVO:
O projeto executivo é o documento que contem os dados técnicos para execução da obra. Este visa a racionalização e planejamento da obra, fazendo com que as possibilidades sejam pensadas ainda no papel, minimizando erros e desperdícios no canteiro; aumentando a produtividade e gerando economia.


█ QUAL É A DOCUMENTAÇÃO DO PROJETO EXECUTIVO?
Plantas Baixas; cortes; situação; localização e quantitativo de áreas; fachadas e perspectivas internas e externas; quadro de esquadrias; RRT de projeto arquitetônico [relatório de resp. técnica]; projeto de paginação de piso; projeto de Guarda-Corpo e corrimão; projeto de escadarias, projeto de brises e elementos de proteção; projeto de forro e pontos de iluminação; projeto de decks e mezaninos; projeto do mobiliário Litúrgico; memorial descritivo.



 Uma das pranchas do projeto executivo da Igreja Nsa Sra de Guadalupe. Florianópolis.SC
[Fonte.: Acervo Faust.Salvagni Arquitetura sacra]


█ LISTA BÁSICA PARA ANÁLISE DE UM BOM PROJETO.
■ Materiais e projetos equalizando: função + custo + resistência + estética + impacto ambiental.
■ Layout racionalizado e funcional. Áreas dimensionadas conforme o uso com mínima perda de espaço.
■ Estratégias bio-climáticas e de conforto térmico, lumínico e acústico.
■ Projetos conforme as leis do plano diretor municipal, norma de acessibilidade NBR 9050 e normas específicas conforme o uso.
■ Espaços, volumes e elementos combinados de forma compositiva.
■ O projeto do presbitério e dos elementos de liturgia são tão ou mais importantes do que o de todo edifício.

■ Relação com o entorno [vizinhos, acessos, vias públicas, gleba].
■ Estrutura racionalizada somando na estética do edifício.
■ Locação integrada de pontos de água e esgoto e de pontos de luminárias, tomadas e interruptores.
■ Definição de sistemas de serviço, reservatórios de água potável, centrais de gás, etc.
■ Significado e relações do edifício com os princípios da arte sacra cristã.



Conceito da torre da Igreja São Pedro Apóstolo. Florianópolis.SC
[Fonte.: Acervo Faust.Salvagni Arquitetura sacra]



█ PROJETOS COMPLEMENTARES
São os projetos que detalham o projeto arquitetônico. Um engenheiro ou um arquiteto especializado podem elaborar estes projetos.

█ PROJETO LUMINOTÉCNICO
Detalhamento da iluminação concebida no projeto arquitetônico. Cálculo de iluminação. Eficiência energética + conforto lumínico + ambientação. Obedecendo a norma NBR 5413.

 


Esquerda Imagem do cálculo luminotécnico. A direta a obra finalizada da Igreja Santa Cruz. São José.SC [Fonte.: Acervo Faust.Salvagni Arquitetura sacra] 

█ PROJETO ESTRUTURAL
Detalhamento da estrutura concebida no projeto arquitetônico. Cálculo estrutural para o dimensionamento dos componentes de estrutura de concreto, aço,  madeira ou alvenaria autoportante. Documentação: Cálculo estrutural; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT. Memorial descritivo.

█ PROJETO ELÉTRICO E TELECOMUNICAÇÕES
Detalhamento e dimensionamento do sistema elétrico, baseado nos pontos definidos no projeto arquitetônico. Documentação: Dimensionamento do sistema; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT; memorial descritivo. 

█ PROJETO HIDRO-SANITÁRIO
Detalhamento e dimensionamento do sistema hidráulico e de esgoto concebido no projeto arquitetônico. Documentação: Dimensionamento do sistema; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT; memorial descritivo. Aprovação junto a Vigilância Sanitária

█ PROJETO PREVENTIVO CONTRA INCÊNDIO
Detalhamento e locação de sistemas de segurança. Documentação: Dimensionamento do sistema; desenhos técnicos; quantitativos; ART ou RRT; memorial descritivo. Aprovação junto ao Corpo de Bombeiros.




sábado, 18 de agosto de 2012

■ II Semana de Arquitetura Sacra | Maringá.PR

Dia 20 de agosto embarco para Maringá.PR para a II semana de arquitetura e arte sacra, parabéns a diocese de Umuarama e obrigado ao Padre Jefersom pelo convite. 
Lá estará o paladino da arte sacra moderna Cláudio Pastro, meu professor Dom Ruberval Osb, pároco da Catedral de Porto Alegre Pe. Gustavo Hass, Pe Claudemir Afonso Capriolli e a colega Angela Laino. 


quarta-feira, 23 de maio de 2012

■ IGREJA SÃO MIGUEL E SANTA RITA | SÃO JOSÉ SC | AUTOR Arq.ED.FAUST

Com missa presidida pelo arcebispo Dom Wilson Jönck dia 11 de maio de 2012 aconteceu a dedicação do altar e a inauguração da primeira etapa das obras da Igreja de São Miguel Arcanjo e Santa Rita de Cássia.

A primeira etapa custou R$ 240.000,00 e foram reformados:
■ Cobertura de treliças e telhas metálicas 
■ Forro 
■ Pisos e patamares do presbitério 
■ Mobiliário litúrgico [Altar, Ambão, Sédia, Suporte do Sacrário]
■ Peças litúrgicas [Cruz Processional, Sacrário, Cálice, Patena, etc.]
■ Imagens [Cristo, São Miguel e Santa Rita]
■ Via Sacra 
■ Iluminação 



NAVE ANTES

NAVE DEPOIS



PRESBITÉRIO ANTES

PRESBITÉRIO DEPOIS

█ PRESBITÉRIO E ASSEMBLÉIA

A reforma foi efetuada sem alterar a estrutura do edifício, a nave foi expandida até a extremidade de fundos da construção, foram demolidas a antiga sacristia e depósitos, o ganho de área deu suporte para o desenvolvimento do novo presbitério e ao crescimento da assembléia.

Liturgicamente o presbitério deve situar-se ao centro da igreja com a assembléia ao seu redor. Quanto mais a distribuição da assembléia se aproximar desta conformação, mais apto a correta aplicação da liturgia o espaço estará. Este layout possui algumas dificuldades de aplicação por questões de ordem prática, sendo assim, os bancos foram dispostos formando um U, o Altar se projeto para o centro deste U. O papel do Altar como centro da liturgia fica evidenciado.

■ FOTOS DA INAUGURAÇÃO [fotos RoReitz]






A tríade litúrgica, a Cruz e a fonte batismal foram dispostos em linha, criando um eixo - este eixo contem os elementos da liturgia, - ele simboliza e define o centro da Igreja...Cristo.

Os patamares do eixo possuem sua simbologia conforme o elemento litúrgico locado:
- A cruz processional é fixada no nível da assembleia, para a que o gesto de fincar a Cruz ao solo seja repetido em todas celebrações;
- O altar está elevado somente um degrau, aproximando-o dos fiéis em seu redor;
- O Ambão como sua origem diz ele se eleva para a proclamação da palavra;
- A Sédia encontra-se no patamar mais alto do eixo: o Cristo cabeça e seu corpo eclesial;
Nas lateriais do eixo litúrgico temos as imagens dos padroeiros: São Miguel Arcanjo e Santa Rita.
A iluminação foi cuidadosamente planejada para que o ambiente possua a devida atmosfera que um templo exige, além do correto e sustentável dimensionamento do sistema.


















A igreja de São Miguel Arcanjo em São José foi completamente reformada; tornando-a adequada a liturgia pós concílio Vaticano, além de torna-la mais funcional e confortável para os fiéis. Junto da  igreja foram reformados: o salão paroquial e o centro de evangelização.

Centrarei está matéria na concepção da fachada, que envolveram os seguintes pontos e resoluções:

- O Sol que invade a igreja durante a celebração ofusca o celebrante e gera desconforto térmico no verão;
- Ao analisar a torre vi que sua estrutura está condenada, grande parte por culpa do sino que ao badalar, destruiu os fracos pilares executados. Sua armadura encontrou-se exposta e já oxidada.



■ Pilar da Torre
■ Sino interior do topo da Torre

- Troca da cobertura aumentará seu pé direito, dando uma escala mais adequada ao espaço. A torre atual não acompanharia tal proporção;

- Ausência de um átrio;

- Manter a linguagem existente, foi uma reivindicação da comunidade. Se olharmos bem para a arquitetura da Igreja, veremos que ela não possui pontos que possam caracterizar uma linguagem.
Assim, busquei os elementos de maior expressão do edifício no caso tijolos aparentes e arcos.

■ Igreja situação antes da reforma



- Do ponto de vista da arte sacra, buscar alguma referência simbólica, no caso com seu padroeiro São Miguel, líder do exercito de anjos, guardião da Igreja.

Duas características básicas de São Miguel são suas e asas e sua lança as vezes substituída por espada.


■ Ícone do século XII | http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c9/Michael_Miracle_Icon_Sinai_12th_century.jpg
■ Igreja de São Miguel em Hamburgo 

■ Catedral de São Miguel | http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/4/46/Cathedral_St_Michaels_Victory.jpg


O centro da Igreja é Cristo, muitas vezes em templos o símbolo maior é esteticamente suprimido por símbolos "menores" de santos. Fazer referência ao padroeiro na fachada de um templo é uma tarefa simbolicamente arriscada. Logo, busquei a referência que une São Miguel a Cristo, o papel de protetor do seu legado.

Tenho a torre da Igreja em forma de ponta de lança com a cruz na ponta.

■ Projeto torre em forma de Lança



domingo, 19 de fevereiro de 2012

■ PRIMEIRA ETAPA DA IGREJA NS DA GLÓRIA | FPOLIS.SC | AUTOR Arq.ED.FAUST

Dia 07 de fevereiro de 2012 foi inaugurada a primeira etapa da obra da Igreja de Nossa Senhora da Glória no bairro Estreito em Florianópolis.SC.

Missa celebrada pelo pároco Padre Tarcísio Vieira enfatizou a importância de se reestruturar ambientes sacros afim de torna-los liturgicamente corretos e adequados mistagogicamente.

Nesta primeira etapa foi executado o presbitério e seu mobiliário litúrgico, como a substituição do forro está na segunda etapa da obra a iluminação do presbitério também não foi executada por completo. A capela do Santíssimo também foi finalizada.










quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

■ IGREJAS DE BAIRRO 01 | Arq. Ricardo Pereira

█ O Valor da criatividade quando o orçamento é limitado.

A veiculação na mídia de grandes obras de como: museus, arranha-céus e centros culturais em geral, faz com que o grande público tenha a impressão de que arquitetura e a figura do arquiteto sejam sinônimos destas mega-obras de orçamentos astronômicos. No caso de igrejas este conceito se potencializa, tem-se como arquétipo do edifício igreja  a grandiosidade. A suntuosidade remetida a tais obras acaba por ser entendida como premissa básica do arquitetura sacra.  



Porém estas idéias transformam as exceções em regra. O custo-benefício é palavra chave para a produção arquitetônica em qualquer lugar do mundo. O concilio vaticano II e os conceitos básicos do Cristianismo ajudam na produção arquitetônica, imprimindo ideais aonde o conceito é mais importante que a suntuosidade e a sensibilidade é mais importante que a força bruta.


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Farei uma série de posts no blog mostrando a produção de obras do dia a dia. Escolhendo um arquiteto por vez, considerando que o mesmo tenha produzido pelo menos 4 igrejas.

Apresentarei o arquiteto e suas obras de forma isenta, não obrigatoriamente gosto ou acho que são boas obras de arquitetura, pois o critério é o volume de produção do profissional. Fica para cada leitor tal identificação.


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█ ARQ. RICARDO PEREIRA 
Arquiteto, urbanista, ilustrador, desenhista, miniaturista, paisagista, fotógrafo e designer. Professor da Universidade Federal de Uberlândia.

Análise geral na produção de Ricardo Pereira na Arquitetura Sacra:

■ Ausência de torres, possuindo fora do corpo da igreja um campanário ou uma cruz anexa;
■ Presença de arcos inteiros como marcação de entrada ou aberturas de importância.
■ Cobertura de poucos planos.
■ Projeto pensado de dentro para fora, o espaço é pensado e a forma é composta conforme o mesmo.
■ Layout otimizado, aproveitado cada metro quadrado. Ocupação máxima permitida do terreno.
■ Programa [ambientes] detalhado.

Na produção de um arquiteto especialista [arquiteto sacro], conceitos do cristianismo aplicados ao projeto do presbitério, das peças litúrgicas são tão ou até mais detalhados que o edifício. Itens que não aparecem na produção de Ricardo Pereira


■■ Igreja Santa Maria dos Anjos [1996] | Luizote Uberlândia.MG

Com fachada frontal voltada para leste. A abertura em arco sobre o presbitério ilumina o mesmo ao longo das manhãs.


Quatro paredes que criam a geometria do layout, são as mesmas que definem a estética da volumetria da Igreja.

■■ Igreja do Bairro Jardim Brasília [1999] | Uberlândia.MG






■■ Igreja Nossa Senhora das Graças [2000] | Uberlândia.MG




Ao centro temos um claustro, arejando e iluminando os espaços. 


■■ Igreja Nossa Senhora de Guadalupe [2007] | Uberlândia.MG



O arco da fachada também emoldura o presbitério, destaque para o belo desenho do campanário.